quinta-feira, 2 de maio de 2019

REMINISCÊNCIAS

A oposição dizia que 31 de março/64 era 1º de abril, isto é, uma mentira. Mas, a despeito da ironia, o povo venerava o Regime Militar, tanto que Médici, o 3º general presidente na sequência, foi aplaudido em pé por 200 mil pessoas em jogo de futebol, levando Nelson Rodrigues, jornalista e escritor, a escrever na época: “No Estádio Mário Filho, ex-Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, como dizia o outro, vaia-se até mulher nua. Vi ... lotado, aplaudindo o presidente Garrastazu. Antes do jogo e depois do jogo, o aplauso das ruas. Eu queria ouvir um assobio, sentir um foco de vaia. Só palmas. E eu me perguntava: e as vaias, onde estão? Estavam espantosamente mudas". Mais: a) o 3º presidente militar passou pela vida pública com dignidade. Seu salário correspondia a 724 dólares/mês; b) adiou um aumento da carne para vender na baixa os bois de sua estância; c) desviou o traçado de uma estrada para que ela não lhe valorizasse as terras; d) sua mulher decorou a granja oficial do Riacho Fundo com móveis usados recolhidos em depósitos públicos. Que exemplo de dignidade! Já Lula, em “Memória Viva do Regime ...”, Ed. Record 1999, registrou: “Agora, com toda a deformação, se você tirar fora as questões políticas, as perseguições e tal, do ponto de vista da classe trabalhadora o regime militar impulsionou a economia do Brasil de forma extraordinária”, finalizando: “...o dado concreto é que, naquela época, se tivesse eleições diretas, o Médici ganhava”.
Castelo Branco, herói da 2ª Guerra, por ranço ideológico teve seu nome retirado de avenida, em POA. Quando presidente, ao saber pelo D.O. da nomeação de seu irmão, funcionário público, pelo min. da Fazenda, Chefe da Receita, ordenou sua exonerou na hora; Andreazza, min. dos Transportes, construtor da ponte Rio-Niterói e de milhares de quilômetros de estradas, era tachado de 10%. No fim da vida, hospitalizado em SP, manifestou desejo de ser sepultado no RJ. Ao falecer, os amigos se cotizaram no translado. Mas, com a volta dos civis ao poder, as Forças Armadas foram demonizado - FHC as desmontou; Lula, em parte, as reequipou. De Vicente Bogo ouvi que a oposição, da qual ele fazia parte, à míngua de provas, adotou como estratégia desqualificar o governo.
Jair Bolsonaro recomendou rememorar 31 de março. Ora, rememorar é lembrar. Portanto, nada demais. Não se apaga fato histórico. A democracia permite rememorar e comemorar, assim como permite rememorar e não comemorar, ou simplesmente ignorar. No entanto, foi o que bastou para a mídia, liderada pela Globo (TV e jornal), centrar fogo no presidente. Isso tem explicação: durante os governos Lula e Dilma a mídia recebeu R$ 13,9 bilhões em publicidade, R$ 6,2 bilhões só para o grupo Globo. No período Temer, a generosidade governamental foi ainda maior. Para 2019, se Bolsonaro conseguir resistir à pressão, haverá forte redução. Esse é o ranço da mídia. “Apoia”, mas a que custo? Urge mudar. Resista, Bolsonaro! A mídia não é prioridade.
O 31 de março virou relação de amor e ódio. A 1ª divisão foi dentro da oposição ao Regime Militar de 1964. Por exemplo: Tancredo, Simon etc combatiam o governo, mas eram pró-democracia; Dilma, J. Dirceu etc combatiam o governo, porém, eram pró-Cuba. Para Túlio Milman, jornalista (ZH): “A esquerda de 1964 era tudo, menos democrática. Não lutava pela liberdade, mas por uma ideologia ...”; e Eduardo Jorge (ex-PT) “Nós éramos contra a ditadura militar, mas a favor da ditadura do proletariado” (= comunismo). Hoje, vejo também muito preconceito contra os militares: quem demonizam Castelo Branco, Médici, Geisel e Figueiredo adora Getúlio Vargas. Para Flávio Tavares, jornalista e escritor, o gaúcho Getúlio Vargas foi ditador bom. Quem leu “Falta Alguém em Nuremberg” (David Nasser, jornalista, escritor e compositor), sobre atrocidades cometidas pelo Chefe de Polícia do Estado Novo, Filinto Muller, depois, quando do bipartidarismo, presidente nacional da Arena, discorda. Eu li e recomendo.

terça-feira, 2 de abril de 2019

COISAS DOMÉSTICAS

Assuntos de alta indagação a nível nacional, não faltam: novo governo, prisão e rápida soltura de Temer etc. A nível estadual, também: novo governo, velhos problemas. Bolsonaro resistente em ceder cargos em troca de apoio à reforma da previdência em andamento na Câmara Federal. Temo que essa postura venha a inviabilizar essa e outras reformas que o Brasil reclama. Ocorre que entre os poderes Executivo e Legislativo funciona, desde sempre, com amplitude a partir do Lula, uma relação promíscua: o toma lá, dá cá, ou seja, o troca-troca nada republicano. A propósito, não se pode esquecer que se trata de cultura arraigada no País, rejeitada - o que é mais grave - apenas por parcela inexpressiva de deputados e senadores. É claro que se as nomeações, por indicações de parlamentares, privilegiassem a qualidade e a ética, não haveria censura. Afinal, apoiar por apoiar só os abnegados fazem. O ônus da defesa incondicional do governo, sem bônus, é suicídio político.
Hoje, no entanto, quero dar ênfase a tema local: a reforma do Centro Cívico Antônio Carlos Borges. Depois de 40 anos, o “elefante branco”, maldosamente denominado pelo saudoso Erani Muller, clama por recuperação. Será um investimento de R$ 600.000,00, de recursos ferais, com a contrapartida R$ 50.000,00 do Município. É obra que, em geral, os gestores públicos não fazem - preferem obra nova onde fixam placa comemorativa. Por isso, saúdo a Administração Municipal e, aproveitando o gancho, acho que no Centro Cívico poderia ser feito mais que consertos - corrigir um pecado original: seu palco diminuto. Foi nesse sentido que, na semana passada, me dirigi ao prefeito Vicini e ao secretário Rufino. É que o palco, por ser pequeno, não comporta shows com artistas numerosos a um só tempo. O da OSPA, por exemplo. Tal carência, entretanto, poderá ser minimizada, estendendo o palco até a divisa com a Rua S. Dumont, em espaço morto de aproximados 60 m2 pertencente ao auditório.
Já fiz muitas sugestões a prefeitos. Uma que sensibilizou o prefeito Orlando Desconsi, foi em 2009 quando ele ultimava a renovação do contrato com a Corsan. Sobre água e esgoto, por serem fontes expressivas de receita, eu me opunha à determinação governamental de então; defendia, em 1º lugar, a exploração desses serviços pelo Município; e, somente em 2º lugar, a contratação por licitação pública, da qual a Corsan poderia participar. Orlando optou pela contratação direta, posto que, entre entes públicos (Município e Corsan), é dispensada a licitação. Ignorou ser a estatal empresa pesada e cara (tarifa). No entanto, diante de fato consumado (decisão do prefeito de renovar sem licitação), sugeri uma cláusula de até R$ 100 mil/ano para o novo contrato. Levada à Corsan, foi aceita, gerando o Inc. XXIX (cláusula 22ª): “Investir, na qualidade de patrocinadora ou apoiadora de eventos oficiais do Município, até o limite de R$ 50.000,00 por ano compondo este valor até R$ 20.000,00 em projetos incentivados pelo PROGRAMA NACIONAL DE APOIO À CULTURA (Lei Rouanet), reajustável pelo IGP-M, devendo os eventos ser revestidos de caráter educativo, ambiental, informativo, ou de orientação social.”
A sugestão original - valor até R$ 100 mil, que era exclusivo para o Musicanto, foi alterada, mas o mais importante é que, corrigidos os R$ 50 mil, ao final de 25 anos, terá ingressado para a cultura local mais ou menos R$ 1.600.000,00. Minhas sugestões aos casos, anterior e atual, são porque acredito na força das ideias. É delas que nascem as obras. Mas, confesso: Santa Rosa é carente de pensadores. Logo, é carente de ideias. Aliás, não tem pensadores. Ah, que falta faz o Willy Klaus!

JÚRI: INSTITUIÇÃO SUPERADA

O Brasil acompanhou com interesse a realização, de 2ª-feira a 6ª-feira da semana passada, do Júri Popular, em Três Passos, que julgou Leandro, Graciele, Edelvânia e Evandro pela morte de Bernardo. Como era previsto, todos foram condenados pelo crime que soube com requintes de crueldade: Leandro a 33 anos e 8 meses, Graciele a 34 anos e 7 meses, Edelvânia a 22 anos e 10 meses e Evandro a 9 anos e 6 meses.
Sem ser minha prioridade, ao longo das quase cinco décadas de advocacia fiz em torno de 30 Júris, quase todos na defesa. Nunca, porém, me senti seduzido pelo Tribunal do Júri. Atuei porque clientes me procuraram e porque, por outro lado, havia uma ideia a ser desmistificada: que só doutores podiam fazer Júri. Faz 15 anos que, por opção, deixei de aceitar defesas de réus de homicídios, consumados ou não.
Tenho - quer por experiência, quer pelos julgamentos que acompanhei, quer pelas leituras sobre o tema - que o Tribunal do Júri perdeu sentido, se é que algum dia o teve. Está mais para um espetáculo cênico do que para a Justiça, esta que, absolvendo ou condenando, deveria ser, e só se justifica se assim for, o apanágio de toda decisão, sob pena de transformar-se em vingança ou condescendência.
O Tribunal do Júri que, faz anos, ocupa espaço na CF (art. 5º, XXXVIII), foi importante na estruturação do Direito no Estado Democrático de Direito quando da abolição dos “juízos de Deus” por volta de 1215 d.C. Nasceu, provavelmente, por inspiração do Concílio de Latrão (Concílio convocado pelo Papa Calisto II). No Brasil, o Tribunal do Júri, adotado em 1822 para julgar apenas os crimes de imprensa, era formado por 24 cidadãos, os quais, segundo a lei que o criou, deveriam ser “bons, honrados, patriotas e inteligentes”. Ótimo, se não fosse hipocrisia!
Os réus, pelos crimes contra Bernardo, mereceram o veredicto. Devo dizer, ainda - desculpem a franqueza -, que as defesas foram fracas. A do advogado Pompeo de Matos foi de chorar. No entanto, duvido que alguém obtivesse resultado melhor, ante o clamor popular que o caso despertou em T. Passos. Esse, aliás, é um dos problemas do Júri. Sete cidadãos, sem conhecimento do Direito e, consequentemente, da Justiça, decidem. No caso, duvido que algum deles tenha adentrado ao salão de julgamento predisposto a ouvir, avaliar e, depois, decidir. Todos, ainda que não seja possível penetrar no recôndito de suas consciências, saíram de casa decididos a condenar.
Quer dizer, os jurados são influenciáveis: 1º, pela comoção que o crime pode ter causado. 2º, pela simpatia ou antipatia do promotor e defensor; 3º, pela admiração ou temor do réu. Logo, ninguém melhor do que o Juiz togado para julgar por sua cultura, independência e dever de ofício. Ah, ainda não falei do custo: no caso Bernardo, só de hotel e alimentação foram milhares de reais que poderiam ser economizados.
Quem é a favor do Júri, diz que, por julgar réus pelos seus iguais, é uma instituição democrática. Pergunto: então, as decisões dos Juízes (99%) são antidemocráticas? Ademais, além de caro é uma instituição que cumpriu sua função, mas faliu. Porém, por dois motivos, ao menos, não vai mudar: 1) depende de alteração da CF; 2) advogados não abrem mão do palco para, nele, exibirem seus talentos oratórios.

quinta-feira, 21 de março de 2019

O CAOS TEM CULPADOS

O caos da Venezuela tem culpados, e não são apenas venezuelanos. Ora, quantas vezes nas últimas duas décadas ouvimos brasileiros defenderem ardorosamente Hugo Chávez, primeiro, e de Nicolás Maduro, depois, pela excelência do regime democrático que praticariam na Venezuela! Quantas vezes ouvimos nesses últimos anos defensores intransigentes de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tecerem elogiosas comparações entre os governos do Brasil e da Venezuela, sob o argumento de que ambos seriam inspirados por elevado senso humanista! Quantas vezes também ouvimos vozes que se levantavam contra os mesmos governos serem sufocadas pelos defensores dos governos populares dos dois países, sob o argumento de que seriam, Venezuela e Brasil, administrados com elevado espírito social! Pois, passadas duas décadas, deu no que deu. O socialismo bolivariano – em verdade, ditadura comunista com vergonha de usar o nome - revelou-se um fracasso. Hoje, o povo venezuelano não tem água, comida, remédio, educação e, principalmente, liberdade, razão da fuga em massa daquela pobre gente rumo aos países do Continente. Agora, a ampliar a tragédia anunciada, tem apagão com suas consequências, inclusive mortes de doentes por falta de energia elétrica em hospitais em que estão internados. Porém, enquanto tudo isso ocorre, com Maduro transferindo sua responsabilidade aos EUA, caminhões com ajuda humanitária (alimentos e remédios) são impedidos de entrar no país pelo governo autodenominado humanista.
Enfim, o paraíso venezuelano acabou, salvo para os amigos do rei. Dirão aqueles que têm em Chávez e Maduro o desejo de consumo, que eles foram eleitos pelo povo. É verdade - aliás, meia verdade. Logo, mentira inteira. Foram eleitos em jogo de cartas marcadas em que só poderia ganhar o “cavalo do comissário”. Lá, nem Simón Bolívar, o libertador venezuelano, é respeitado. O chefe das revoluções que libertaram Venezuela, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Bolívia do jugo espanhol podia ter todos os defeitos, mas comunista não era. Portanto, os dois últimos tiranos da Venezuela vêm usando indevidamente o nome do libertador de países sul-americanos.
Ora, tanto no Brasil, de Lula e Dilma, quanto na Venezuela, de Chávez e Maduro, foram os gastos a rodo e a corrupção sem precedente que jogaram seus respectivos países no caos atual. Isso sem contar com a agravante da estatização, o Estado ineficiente gerindo quase tudo. Outra grande semelhança entre esses governos está no paternalismo, um engodo como projeto de combate à pobreza - digamos, um mel nos lábios que adoça por instante para, a seguir, produzir amargor prolongado.
Por fim, o Brasil é credor de empréstimos concedidos para Venezuela e Cuba, mas, por justiça, lembro: começaram com FHC, tiveram continuidade e se multiplicaram com Lula. Faziam parte de esquema corrupto (operação casada) entre Brasil, Venezuela, Bndes e Odebrecht através de contrato - pasmem! - com cláusula de confidencialidade, como se, com dinheiro público, isso fosse ético. Não preciso dizer que esses generosos empréstimos, a juros subsidiados pelo Brasil e com o aval do Tesouro, também não retornarão aos nossos cofres. O calote já foi dado. Que beleza!

segunda-feira, 11 de março de 2019

DEU PRÁ TI, MÃO BOBA!

Mão boba é aquela mão que o galanteador, achando-se um “Don Juan”, movimenta sorrateiramente. Ou seja, de boba não tem nada. É a mão que o homem - às vezes, a mulher - discretamente passa na pessoa do sexo oposto próxima, e dependendo da reação da pessoa “acariciada”, intensifica sua ousadia. Para uns, é uma aposta tipo “vai que cola”; para outros, é safadeza. Só que, a partir de setembro de 2018, por força da Lei 13.718, gestos obscenos deixaram de ser contravenção para ser crime. Portanto, acabou a brincadeira. Agora, o que era importunação sexual - desculpável com o clássico “desculpe, foi sem querer”! quando rejeitado - tornou-se crime sujeito a prisão de um a cinco anos, isto se o ato não constituir crime mais grave. O advérbio de negação deixou de ser um não tímido, acanhado, com cara de sim, para ser um não de negação. Agora, não é não sem concessão.
Antes da nova lei, a mão boba era ato de importunação a pessoas do sexo oposto, isto é, infração leve sujeita a multa insignificante e prisão de 15 dias a dois meses. Agora não. É a lei protegendo a dignidade sexual através da elevação da pena. É certo endurecer contra quem desrespeita a dignidade alheia. No entanto, tanta proibição também poderá produzir outro efeito: inibir a pessoa de externar inocente toque ou galanteio. A timidez acompanha o ser humano. Então, temendo ser condenado se avançar o sinal definido pela nova lei, o acanhamento poderá aumentar o distanciamento entre pessoas. Ora, o relacionamento amoroso não se perfectibiliza em atos formais ou carrancudos, salvo arranjos dos pais, irmãos ou clás, mas pela conquista, que não significa ganhar do outro, mas ganhar o outro.
É justo punir com rigor quem desrespeita seu semelhante. No ônibus, no trem, homens despudorados esfregam-se em mulheres. No popular, coxeiam. No entanto, o elemento subjetivo do crime é o dolo - vontade dirigida a satisfazer a lascívia própria ou de terceiro, que não compreende o ocasional esbarrão. Impõe-se seja um ato que satisfaça o agente ao mesmo tempo em que o autor ofende a liberdade sexual da pessoa esbarrada. Enquadramento, aliás, que ainda dará pano para manga. Por outro lado, como fica o incitamento a práticas libidinosas incorporadas à nossa cultura, nas festas populares?

Como este foi o 1º carnaval pós mudança, é precipitado avaliar. Mas é certo o conflito cultural entre passado e presente provocado pela nova lei. Máscara Negra (Zé Keti/Pereira Matos), marchinha de carnaval de 1967 ainda sucesso, que incita ao abraço e ao beijo lascivos, está em descompasso com a nova lei. Diz: “Foi bom te ver outra vez, Tá fazendo um ano, Foi no carnaval que passou/ Eu sou aquele Pierrô, Que te abraçou e te beijou, Meu amor”. Refrão: “Vou beijar-te agora, Não me leve a mal, Hoje é carnaval”. Como se constata, incentiva o beijo roubado porque, sendo carnaval, seria permitido. No entanto, a norma que “Tipifica os crimes de importunação sexual” equipara o beijo roubado ao estupro - com minha discordância quanto ao tipo penal, mas é o que está valendo até a Justiça definir seu limite.

A Lei 13.718/18 nasceu da conduta de homens que, em transportes públicos, esfregavam seu órgão sexual contra o corpo de vítimas, masturbavam-se e, às vezes, ejaculavam no embalo de ônibus e trens - até então sem punição correspondente. Apesar do exagero na tipificação delituosa, pois saiu da contravenção para o dolo, a partir de 09/2018 deu prá ti, mão boba! Máscara Negra é, hoje, canção censurada. Lisonja, com cautela, sim, ainda pode.

A REFORMA TRABALHISTA

Muita coisa mudou nesse pouco mais de ano de vigência da reforma trabalhista implantada pelo governo Temer. Para alguns, as mudanças foram benfazejas, inclusive para os empregados a despeito da reação dos seus sindicatos; para outros, foram nocivas, favoráveis apenas aos patrões. Há, em qualquer das posições, ingredientes de corporativismo. Logo, ambas as posições devem ser recebidas com reservas. O Brasil é o País do corporativismo, inclusive, e acentuadamente, no serviço público, que seus sindicatos tratam - em verdade, privilégios - pelo simpático nome de avanços – v.g., licença-prêmio a cada x anos de trabalho; triênios e quinquênios por tempo de trabalho; adicionais por anos de atividade etc – que inexistem na iniciativa privada. Mas não é sobre a liberdade negocial que a reforma trabalhista trouxe para as relações de trabalho que hoje quero falar; é sobre o estrangulamento do movimento sindical provocado pela Lei № 13.467/17, em vigorar desde 11/11/2017, por conta do golpe nos sindicatos com a eliminação do imposto sindical compulsório.
O Brasil é o País dos Sindicatos. São, ao todo, 12.200 apenas de empregados, além de centrais, confederações e federações. É que, abrir um sindicato, assim como criar um partido político, era (é) um dos melhores negócios no Brasil. A propósito, o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) tem 168 sindicatos; a Argentina, 91; os EUA, 90 – incluídas as entidades patronais. Ah, tem mais, do outro lado do balcão estava o Ministério do Trabalho, que os partidos políticos disputavam com unhas e dentes até a chegada de Bolsonaro ao poder, para desespero do PTB, porquanto era quem emitia cartas sindicais. Ocorre que uma carta (mesmo que do sindicato dos cuspidores, por exemplo) valia, dependendo do caso, alguns milhões.
CUT, Força Sindical e UGT em 2017 arrecadaram, cada uma, em torno de R$ 50.000.000,00. Isso em período de recessão sem precedente. Muito mais, portanto, em época de pleno emprego. Porém, com a queda da cobrança compulsória (desconto obrigatório do valor correspondente ao um dia do salário por ano de trabalho, por trabalhador) a arrecadação caiu, em 2018, para 10%. Quer dizer, 90% dos trabalhadores não concordavam com o desconto para centrais, combustível que transformara suas entidades em cabides de emprego e longa manus de partidos políticos - a CUT, a serviço do PT; a Força Sindical, a serviço do SD; a UGT, franco-atirador (ou franco negociador?) nas campanhas eleitorais.
Sentindo o impacto da entrada em vigor da reforma trabalhista, sindicatos e confederações já tinham movido mais 15.000 ações pedindo a inconstitucionalidade do fim da cobrança obrigatória. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, declarou constitucional a mudança e, assim, manteve o fim da cobrança compulsória. Foi um balde de água fria sobre os sindicatos, tendo por principal argumento aquele não dito: o dinheiro arrecadado servia, a maior parte, a interesses escusos. Agora, terão de se adequar, reduzindo mordomias, cortando campanhas eleitorais, vendendo bens etc.
Enfim, a reforma trabalhista do Temer modernizou o País, no que se refere às relações do trabalho, e pôs freio no peleguismo sindical. É o maior legado do Temer

MORINGA NA FENASOJA

Percalços são mornais na implantação de ideias ou projetos novos. É o caso do projeto Moringa em parceria com a Fenasoja (Elias Dallalba, presidente, e Cleo Rockembach, secretário), tendo por local o Parque Alfredo L. Carlson. Como é sabido, vaticinar que essa ou aquela iniciativa não dará certo, é mais fácil do que criar ou fazer acontecer. Os derrotistas estão de plantão para, em eventual insucesso, afirmarem: “Eu avisei”. Alinho-me, porém, aos que preferem errar fazendo do que acertar pelo acaso. É o exemplo da água: na queda ganha força. Itaipu é um caso. O Rio Paraná, no leito normal, não tinha força. Represado, passou a ser líder mundial na produção de energia (2,6 bilhões/MWh), suprindo 15% da nossa demanda e 90% do Paraguai.
Minha queixa, com um misto de desabafo e prestação de contas, diz respeito com a implantação do projeto Moringa (plantio dessas árvores no Parque de Feiras), ideia que me encantou, ora em desenvolvimento com a participação, ainda, do Agrônomo Vione da Emater, do Secretário da Agricultura Eisen e do indigenista Homero Pinto, mas que tropeçou na nossa inexperiência, o que é compreensível. Afinal estamos lidando com coisa nova, e todo o novo sujeita-se a aprendizado. Como ensina Mário Sérgio Cortella, sendo também título de um dos seus livros, “Não Nascemos Prontos”.
O local escolhido para receber árvores moringas (Parque Municipal) se revelou inadequado. Além disso, pragas desconhecidas destruíram as primeiras plantinhas levadas à terra. A solução foi, 1º, recuperar o solo; 2º, detectar os inimigos das frágeis árvores. Adversidades, estas, porém, que não nos fizeram esmorecer. Pelo contrário, o projeto avançará porque está em jogo mais do que plantar árvores - que por si só já justificaria toda e qualquer parceria - mas o plantio da “árvore da vida”.
Veiculado, o projeto vem repercutindo além da Fenasoja, a ponto de não ser exagero se afirmar que, na sua próxima edição, será atração, quer como novidade, quer como expectativa de nova fonte de alimento humano e animal. Sobre o projeto - plantar árvores, e que árvores! -, quando me perguntam, digo: nasceu da conjunção de dois fatores: a) amor à natureza; b) inconformidade com a mesmice. A propósito, segundo Guimarães Rosa, “o animal satisfeito dorme”. Concordo. É que, aceitando as coisas como elas estão, o homem (com a barriga cheia) equipara-se a um animal saciado.
Sobre o projeto Moringa/Fenasoja recebi muitas mensagens, destacando: Norton Goulart, neurologista - “Lembro do Juarez Guterrez. Lembro que ele plantou todas as árvores das calçadas de Santa Rosa. A grande diferença entre ele e o Aquiles é que no caso o Juarez - que conheci - plantar era sua atividade profissional. No caso do Aquiles é apenas por amor à natureza - não ganhando nada com isto, a não ser o prazer de ver o mundo mais verde”; Maurício Coas, corretor de imóveis - “Um ilustre cidadão, sou fã e tenho carinho pelo nosso advogado. O prefeito dos sonhos para Santa Rosa”; Cel. Talmo, ex-comandante do 19º RCMec - “O Dr. Aquiles Giovelli, sem dúvida nenhuma, é gente que faz!” Essas e outras manifestações - descontado, é claro, o exagero próprio dos amigos nos encômios - registro-as como o combustível para prosseguir e o despertar de consciência em defesa do agredido meio ambiente.