sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

AS BRUMAS DE BRUMADINHO

Em 2015, foi o rompimento da barragem de Mariana com um saldo de 19 mortos, destruição de uma vila de pessoas humildes e de lavouras, contaminação de vários rios, o principal, o Rio Doce que nasce em Minas Gerais, cruza o Espírito Santo e deságua no mar. Na última sexta-feira26, foi o rompimento da barragem de Brumadinho, também em Minas Gerais. Mais uma vez, barragem de rejeitos industriais pertencente ao grupo econômico Vale do Rio Doce. O saldo dos dois desastres: vidas ceifadas, meio ambiente devastado e prejuízos materiais de monta. Pior é que, pela repetição do tragédia em Brumadinho, para nada serviu a tragédia de Mariana.
Mas, o mais grave de tudo, é que a tragédia de Brumadinho era previsível. Portanto, poderia ter sido evitada. Logo, está-se diante de um crime que vai além da culpa – que, neste caso, se caracterizaria por imperícia, imprudência ou negligência - para ancorar no dolo eventual, porquanto, empresa e autoridades vinculadas à barragem, embora sem o desejar, assumiram o risco pelo trágico resultado. Depõe, ainda, contra a Vale ser o 2º acidente em curto espaço de tempo, em circunstâncias semelhantes, o que demonstra que nenhuma cautela foi tomada para afastar o risco que rondava e ronda, sabe-se lá, quantas Marianas e Brumadinhos pelo País.
O Brasil, que já pagou duas vezes pelo mesmo erro, não poderá pagar pelo terceiro erro nada inocente. No entanto, também não é razoável responsabilizar Bolsonaro e Zema pelo acidente de Brumadinho, haja vista que estavam investidos dos respectivos mandatos executivos federal e estadual fazia menos de um mês quando do acidente. Já o mesmo não se poderá dizer em relação a Dilma/Temer (ex-presidentes) e Pimentel (ex-governador), posto que os ex-presidentes e ex-governador estavam no exercício dos seus mandatos quando da tragédia de Mariana (05/11/2015) e depois.
Por outro lado, o País dá sinais de mudanças. Tomara! É como indicam algumas medidas sobre o acidente: força tarefa; prisões; bloqueio de R$ 11 bilhões; presença do governo no local; criação do Conselho de Respostas a Desastres; revisão das barragens. Outrossim, Bolsonaro, que ameaçava desativar o ministério do Meio Ambiente e rever o Acordo de Paris, no episódio de Brumadinho deu uma louvável guinada: mostrou-se defensor do meio ambiente, decidido e solidário com as vítimas.
Mas por que, com Brumadinho, a repetição de Mariana? Porque o crime compensa. Se a Samarco e seus responsáveis tivessem sido condenados pelo acidente de 2015, a tragédia de 2019 provavelmente não teria ocorrido. A propósito, Delfin Neto dizia: “A parte mais sensível do homem é o bolso”. Como no episódio de Mariana, a Samarco, controlada pela Vale, nada indenizou, temos agora a repetição de tragédia, agravada.
O Rio Doce, passados três anos da 1ª catástrofe, continua com a água imprópria para consumo e os peixes que sobreviveram, contaminados. O quadro da dor ensina que meio ambiente não é papo só de ambientalistas, mas compromisso de todos com a vida; que não é tese de sectaristas de esquerda ou direita, mas tese sem ideologia.
As brumas de Brumadinho são as brumas do Brasil: da propina, do oportunismo, do jeitinho ..., mas também da indignação conforme recado das eleições a presidente/18.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

SIRVAM-SE, O VENENO ESTÁ NA MESA

Os agrotóxicos - defensivos agrícolas, para uns; venenos, para outros - são aplicados em profusão na nossa agricultura. Para os primeiros, esses produtos químicos são aliados dos produtores. Para os últimos, são inimigos. Ambas as correntes têm suas razões. Então, o que seria certo ou seria errado? Bem, antes de emitir opinião, algumas ponderações sobre os benefícios fiscais dos agrotóxicos na produtividade: o agronegócio é responsável por 23% do PIB, 37% dos empregos e 48% das exportações, graças aos quais temos superávits da balança comercial. Assim, é questão de escolha, às vezes sem opção. A minha opção é pela saúde, pois, conforme Santo Inácio de Loyola no “diálogo” com São Francisco Xavier, “que adianta o homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma”. Parafraseando o fundador dos Jesuítas, digo: que adiante o homem ganhar o mundo se perder a sua saúde.
Faz alguns anos, um cliente meu que produzia tomates e, também, revendia o produto que trazia de Veranópolis, às vezes me obsequiava com uma caixa do fruto, e dizia: “esse tomate você pode comer sem lavar. É da minha produção. Já o tomate que busco na Serra, eu não como”. No ponto, a Europa é mais consciente do que o Brasil. A União Europeia baniu das suas lavouras, entre outros, o Paraquate, a Atrazina e o Acefato, substâncias entre as mais vendidas aqui - em 2017, mais de 60 mil toneladas. O Paraquate é, comprovadamente, trágico à vida. No País, mesmo classificado pela Anvisa como altamente tóxico, só sairá das prateleiras em 09/2020.
Nosso sistema agrícola - aliás, muito bem sucedido - é dependente de agrotóxicos. A Embrapa dispõe de novos ativos tecnológicos voltados ao mercado de defensivos agrícolas naturais, mas trabalha com parcos recursos para a pesquisa. Já a Universidade de Illinois (EUA) conseguiu turbinar a fotossíntese, acelerando, assim, o ciclo de vida das plantas, com o consequente aumento da produção, ciente de que, até 2050, será necessário aumentar em 60% o volume mundial de alimentos. É um avanço. Porém, aumentará o uso de agrotóxicos, exceto se se reverter a marcha atual.
Vivemos uma triste realidade. O veneno está na mesa de mais de 90% dos brasileiros, pois menos de 10%, e sem habitualidade, consomem alimentos orgânicos: 1) por desinformação, 2) sua pouca produção, 3) serem mais caros e 4) aparência feia comparados a similares com agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Somos, com perdão verbal, vítimas do nosso desenvolvimento, pois o uso de defensivos proibidos ignora os limites da ética na preservação da saúde.
E as abelhas? Coitadas! Elas só fazem o bem (polinização, mel, própolis), mas são tratadas como inimigas. A cada semana noticia-se uma nova mortandade dos insetos, por agrotóxicos. Para Lionel Segui Gonçalves, da Faculdade de Filosofia de Ribeirão Preto (USP), especialista em abelhas, no atual ritmo, em 2035 elas estarão extintas.
A Bayer, nos EUA, tem sofrido condenações milionárias por conta dos malefícios do seu glifosato, o mesmo produto que a França acaba de banir no seu território. E o Brasil? Bem, estamos submetidos desde sempre à seguinte ordem surda e silenciosa dos fabricantes desses produtos letais: sirvam-se, o veneno está na mesa.

(IN)SEGURANÇA JURÍDICA

Conspira contra (conspirar contra soa pleonasmo, mas não é porquanto são palavras que se completam) a estabilidade de qualquer País - com reflexos em todas as áreas - a insegurança jurídica. Pior ainda quando gerada por quem deveria ser o guardião da Constituição e das leis: o Supremo Tribunal Federal, instituição composta por 11 ministros, na prática cada um age como se fosse o Pretório Excelso (o todo). Ressalvo que alguns ministros, apesar do critério de nomeação, honram a toga. Exemplo, sem excluir outros: Celso de Mello, a quem - embora discorde dele sobre a prisão a partir da condenação em 2º grau - respeito, porquanto é contra por convicção.
O Direito tem suas fontes. No Brasil, a principal, seguindo a tradição romano-germânica, é a lei, seguida da jurisprudência, dos costumes e da doutrina. Não faz muito, surgiu o Direito alternativo - ignorando as quatro fontes -, segundo o qual juízes colocavam partes e advogados, quando do ajuizamento de ações, à mercê da sorte: se o feito fosse distribuído a juiz alternativo, o resultado previsível da demanda seria A; se o mesmo feito fosse distribuído a juiz não alternativo, o resultado previsível seria B.
O Direito alternativo não vingou. Hoje, a insegurança jurídica é gerada pelo STF. Na raiz do mal da instituição está o critério de escolha dos seus ministros - político, não técnico. Lewandowski, Toffoli, Gilmar, Marco Aurélio são crias desse critério, embora constitucional. Mas o pior é que não vislumbro perspectiva de mudança, pois a OAB, que deveria empunhar a bandeira da mudança, faz ouvidos moucos. É que, quem a preside (Cláudio Lamachia atualmente), embora negue, aspira o cargo vitalício.
Em Brasília, na frente do suntuoso prédio do STF - que tem mais de 3.000 servidores (+ ou - 300 por ministro), entre eles, 12 capinhas, 19 jornalistas, 24 copeiros, 27 garçons, 58 motoristas (isso é um deboche!), alguns para desnecessário trabalho (capinhas) - há uma senhora de pedra com venda nos olhos cobrindo também suas orelhas. Só assim não pôde ver nem ouvir Barroso atacar Gilmar - ipsis litteris: “Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia.”
A confusão criada por Marco Aurélio no dia 19/12/2018, minutos antes do recesso do Poder Judiciário, ao deferir liminar a uma ação do PCdoB, que colocaria na rua 260 mil presidiários, muitos de alta periculosidade - mais 19 da Lava-Jato, Lula o mais famoso -, mostra que o STF atual é uma Torre de Babel. No caso, o ministro ignorou decisão anterior do Pleno sobre o tema. Com isso, Marco Aurélio mostrou que a decisão de um só ministro, posterior, vale mais que decisão anterior dos 11 ministros. Menos mal que Toffoli (farinha do mesmo saco, novo anjo bom) cassou a liminar do colega ‘libertário’.
José Saramago, escritor português, em “Da Justiça à Democracia Passando Pelos Sinos”, conta que um camponês, não sendo encarregado de tocar habitualmente o sino, o fez soar, ao que seus vizinhos, surpresos, lhe perguntaram quem era o sineiro e quem era o morto, respondendo: “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”. Inconformados, insistiram: “Mas então não morreu ninguém?”, ao que respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente; toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta”. O camponês somos nós; a Justiça do camponês é o nosso STF.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

MAIS MÉDICOS

O programa Mais Médicos, criado por Dilma Rousseff, primou por ajudar Cuba e atender aos municípios sem ou com precária assistência médica. Na época, escrevi que, apesar das restrições ao programa dada sua natureza protecionista (para Cuba) e espoliativa (dos médicos), para as comunidades desassistidas de médicos desde sempre, um jaleco já ajudaria a melhorar a vida de dessas populações. Passados alguns anos, a experiência está aprovada. Ponto, portanto, para a ex-presidente do Brasil. Isso, no entanto, não tira o caráter malcheiroso das contratações, como, por exemplo, a desproporção paga por nós, contribuintes brasileiros, às partes contratadas: para Cuba, 70%; para os médicos, 30%. Quer dizer, bom para Cuba, espoliativo para os médicos cubanos atuando no exterior.
Agora, sem prévia notificação, Cuba, como retaliação às manifestações de Jair Bolsonaro, futuro presidente da República, no sentido de rever o contrato, rescindiu o convênio sem pré-aviso. O impacto negativo no Brasil, é inegável. Raul Castro, ao retirar 8.000 médicos de uma hora para outra, deixa as comunidades desatendidas, as quais se voltam contra o governo. Em resposta à retaliação, o Ministério da Saúde agiu com rapidez para solucionar o impasse, fazendo contratações emergenciais. Por outro lado, creio que a maioria desses médicos gostaria de ficar aqui, mas poucos desafiarão o poderoso Raul Castro, eleito, como se sabe, à ‘unanimidade’ por Fidel Castro. Eles, os médicos, sabem o que aconteceu com os dois boxeadores que abandonaram sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos, no Brasil. Ordem de Havana, correta ou não, os cubanos não discutem; cumprem. Lá não existe o devido processo legal, tão reclamado aqui mesmo sendo respeitado, e os juízes da ilha são subservientes ao governo.
Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux são os boxeadores que, nos Jogos Pan-Americanos, pediram asilo ao Brasil. Porém, ao invés de amparo, foram deportados por Tarso Genro, então ministro da Justiça. Foi no mesmo governo em que Cesare Battisti (do Proletários Armados pelo Comunismo), condenado na Itália à prisão perpétua pela prática de quatro homicídios em sua Pátria, aqui se homiziou. Na ocasião, a Itália pediu sua extradição, que foi deferida pelo STF. Lula, no entanto, que tinha a palavra final sobre o caso, no último dia de seu mandato concedeu-lhe asilo por considera-lo “perseguido político”. Um escândalo! O Brasil (leia-se Lula) albergou um facínora ao mesmo tempo em que jogou (leia-se Tarso) aos leões dois inocentes.
Bem, para a retirada de médicos cubanos, a solução que o governo da União está tomando - correta, diga-se - é emergencial. Uma alternativa, justa a meu sentir, sem excluir outras, para atender aos rincões eternamente desassistidos na área da saúde, seria exigir a prestação de serviço do médico que cursou faculdade pública ou com financiamento público. Exsurge, pois, da crise Brasil x Cuba, uma questão positiva: a discussão acerca da contrapartida que médicos, engenheiros, advogados etc deveriam prestar em tendo cursado faculdade às expensas do erário público.
Santa Rosa também têm médicos cubanos. Como todos, submetidos ao rodízio, isto é, depois de alguns anos aqui eram substituídos por conterrâneos. Um, que alugava imóvel através da Imobiliária Bernardi, contou ao Sandro Bernardi que somente depois de morar no Brasil conheceu as mazelas da sua terra e seus líderes. Chorou ao dizer que aqui descobriu a face - oculta para os cubanos desvinculados do poder - de Fidel, Raul, Che etc. É que lá só funciona a mídia oficial: livre para divulgar tudo, desde que seja para elogiar o regime e os feitos - para o bem do povo - dos seus comandantes.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

BOM COMEÇO

Torço por Jair Bolsonaro. Todos devemos torcer por ele, pois estamos no mesmo barco. No primeiro round (em boxe, assalto), isto é, na escolha dos futuros ministros, Bolsonaro está vencendo. Importa dizer que o presidente eleito, nesse campo, surpreende, positivamente, inclusive seus eleitores mais otimistas. Os ministros já escolhidos têm credenciais para o exercício de cargos correspondentes em qualquer país democrático do 1º Mundo. Sérgio Moro, para ficar com o nome mais saliente, só não é unanimidade nacional porque, no comando da Operação Lava-Jato, contrariou interesses ao processar e, esgotado o processo legal, prender poderosos, o que nunca antes tinha ocorrido. Logo, é normal a reação de parcela da população ao Juiz.
Bolsonaro, além de dar passos certos na montagem do seu governo, também deve ter saudado seu discurso de submissão à Carta Magna e às leis infraconstitucionais. Isso revela sua face contestada pelo PT e parceiros: sua postura de democrata. Aliás, a autoridade que não se submeter ao ordenamento jurídico vigente, não merece invocar, como seu norte, o estado democrático de direito. Ora, quando um “democrata”, por ser pego pela Lava-Jato se disser perseguido da Justiça, desconfie. Quando, depois de ampla defesa, dado o insucesso em sua defesa, se disser injustiçado, é discurso de democrata, mas prática ditatorial. É, pois, canto de sereia.
Bolsonaro está dando um tapa com luva de pelica nos maledicentes que, na campanha eleitoral recém finda, chegaram ao cúmulo de chamá-lo de fascista. Entre as primeiras medidas administrativas anunciadas no propósito de passar o Brasil a limpo, o presidente eleito antecipou que quer abrir a “caixa preta” do BNDES. Isso é ótimo! As pessoas honestas anseiam por medidas desse jaez. Chega de maracutaia! A propósito, especula-se que, dos crimes contra o patrimônio público nos últimos 16 anos, uma vez revelados os contratos de obras financiadas pelo Brasil para Cuba, Venezuela e países da África, realizadas pela Odebrecht, as falcatruas na Petrobras perderão status, isto é, descerão ao patamar do Juizado das pequenas causas.
Esses contratos de financiamento de obras no exterior estariam envoltos em mistérios. Estariam - os contratos referentes a obras realizadas pela Odebrecht - o metrô de Caracas, o Porto Mariel (Cuba) e outras em países da África, via BNDES, garantidos pelo Tesouro Nacional (que beleza!) - cobertos por cláusula de confidencialidade. Assim, não seria permitido revelar seus segredos a terceiros, a nós os otários contribuintes. Ocorre que, embora na relação civil seja admissível contrato com cláusula de confidencialidade, no caso, por envolver dinheiro público, é ilegal e imoral. A propósito, faz pouco, pela inadimplência de parcelas dessas dívidas de Cuba e Venezuela relativas a esses contratos “sob sigilo”, o Brasil, na condição de garante (que maravilha!), pagou ao BNDES a ‘bagatela’ de dois bilhões de dólares.
Ora, o acesso à informação de dados públicos é regra (CF regulamentada pela Lei 12.527/2011), pois, na Administração Pública, a transparência é princípio basilar da democracia. Logo, a confidencialidade é exceção, salvo: a) quando imprescindível à segurança pública; e/ou b) na preservação de dados pessoais.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

CARTA AO PREFEITO ERNI

Caro Erni: há tempo, impulsionado por saudade e curiosidade, ensaiava te escrever. Mais por curiosidade, compreendes. Afinal, estás num plano para mim estranho, para não dizê-lo misterioso, descrito, pela banda de cá, por dedução, imaginação e fé como maravilhoso. Agora, surgiu um fato ligado ao Musicanto, que não seria justo te ocultar. Antes, porém, de relatá-lo informo que estamos à véspera de eleição presidencial, a qual está mais para guerra que para paz. Bem, tu conheces a frase (senador Hiran Johson, EUA): “Na guerra, a 1ª vítima é a verdade”. É o que está ocorrendo no pleito eleitoral deste ano. Os candidatos se ofendem, mas tangenciam no essencial - menos Boulos, um franco-atirador.
Erni, nas eleições para deputados e senadores repete-se o engodo. Tem parlamentar que se reelege faz muito tempo em cima de nichos eleitorais que ele mesmo, para si, construiu. Qualquer semelhança com Paulo Paim, não é coincidência. Bem, isso não é novidade. E as emendas parlamentares? Essas, nas mãos dos deputados federais e senadores, mantém o mesmo nome do teu tempo terreno: clientelismo. Continuam fazendo compra de votos. O sistema privilegia o grupo com mandato. Quer dizer, também nada mudou.
Ah, mais uma do teu tempo, Erni: política é para profissional. Lembras? Assim sentenciou Tancredo na disputa no Colégio Eleitoral contra Maluf, vitoriando-se com 300 votos. Hoje, Lula é o esperto Tancredo de 1985. De dentro do presídio (Curitiba), onde deverá permanecer por muito tempo ainda, com seu 2º “poste”, o Haddad, está mandando na campanha eleitoral. Tudo em nome da ética, é claro. Bem, da esperteza do Lula tu sabias; e da prisão? É, está preso. Ocorre que, como muitas vezes comentávamos nas rodas de chimarrão, corrupto também se atrapalha.
Outra prática que tu conheceste entre candidatos à reeleição, continua: a divulgação de seu trabalho. Sempre no superlativo! Até o Terra, qualificado e atuante deputado, escorregou. Não é que ele veiculou em seu jornalzinho que, quando prefeito, “internacionalizou o Musicanto e o tornou um dos maiores festivais de música sul-americana ... com recorde de público”! Enfim, este o empurrão que me faltava para te escrever: distorção a fato histórico. Repasse-o a Harry, Adil, Loureiro, Gérson e Nair.
Ora, tu deves lembrar nossa luta na construção do Musicanto Sul-Amaricano. Foi um parto a fórceps para dá-lo à luz internacional. No nome e na prática. Dividido em duas fases com suas realizações simultâneas, uma de shows, outra de músicas inéditas - até para que a respeito informes aos grandes amigos do Musicanto, Sérgio Metz (Jacaré), Aparício Rillo e Loudes Heinze – ao tempo em que cito três presenças internacionais que restabelecem a verdade sobre a formatação do Musicanto internacional desde seu alvorecer: 1º (1983) - Argentino Luna: maior nome do folclore argentino; 2º (1984) - Mercedes Sosa: maior cantora latino-americana, no Estádio Carlos Denardin foi responsável também pelo maior público até hoje no festival; 3º (1985) - Canterini Peloritani: maior Grupo de Folclore da Itália (Sicília).
E, como também deves estar lembrado, com relação às músicas inéditas deu-se, na prática, a internacionalização de imediato: já na 1ª edição, canções sul-americanas foram inscritas, umas se classificando, outras não. À participação de concorrentes com outros sotaques, no 3º Musicanto o jornalista e crítico musical Juarez Fonseca (ZH), escreveu: “A renovação musical, a busca de novas formas dentro da música latino-americana, não é apenas mais uma tendência do Musicanto, mas sua forte característica”.
Erni, enquanto aqui, estarei atento. Na defesa do Musicanto como formatado por LC Borges, com a velha UDN te asseguro: “O preço da ‘verdade’ é a eterna vigilância”.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

O FUTURO DA PREVIROSA EM DEBATE

Faz pouco, o prefeito de Santa Rosa, por sustentar a inviabilidade de conceder o aumento salarial postulado pelos servidores municipais, foi tachado pelo Sindicato dos municipários de inimigo da categoria. Ora, só mentes doentias imaginam um gestor público gostar de apupo ao invés do aplauso. Lembro o fato porque agora, o mesmo prefeito, deu início (start) ao oportuno debate sobre o futuro do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais. Correto! É assim que age um administrador responsável. Se todos tivesse tal comportamento, a Previdência Pública não estaria quebrada. Parafraseando G. Vandré, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” Ah, se fosse populista, o prefeito Alcides Vicini, posando de bonzinho, deixaria o problema para o sucessor.
A Previrosa tem valores expressivos aplicados no mercado financeiro. No entanto, segundo o seu presidente, Salatiel Oliveira dos Santos (entrevista de abril/2017), o futuro do Instituto preocupa na medida em que a receita não cresce na mesma proporção da despesa. Ou seja, hoje não é problema; amanhã, será. Antecipo que, ao abordar tão árido assunto, não estou pensando em mim – aposentado que sou da Previrosa (Procurador Jurídico) por ato administrativo do prefeito Terra - pois passei do meio dia da vida faz tempo. Suscito-o, no quanto me toca, embora privado, para: a) informar que há 20 anos recebo sem contribuir; b) desmistificar acusação que recebi.
Pois bem. Pensando nos futuros aposentados/pensionistas municipais, em seguida à entrevista de abril/2017, enderecei ao presidente da Previrosa a seguinte carta:
“A previdência federal chegou ao fundo do poço por problemas de gestão, desvio de recursos da sua finalidade precípua, imprevidência no passado etc.
Algumas causas, porque atuariais, me parecem comuns às autarquias municipais, estaduais e federal de previdência: a) aposentadorias precoces; b) contribuições insuficientes. Logo, não podem ser relegadas para quando o déficit se instalar.
Pela sua preocupação veiculada na entrevista referida, imagino que a Previrosa esteja estudando medidas para não repetir os erros da previdência nacional. De minha parte proponho que aposentados continuem contribuindo na inatividade, ainda que em percentual menor. A propósito, para não ficar apenas no campo das sugestões, autorizo descontar, mensalmente, 2% sobre a minha aposentadoria para a Previrosa.”
Na ocasião, Salatiel me disse que minha sugestão não teria amparo legal. No entanto, ela vazou. Por quem, não sei. Daí ter recebido o seguinte recado: “para você, bem aposentado, é fácil propor desconto.” A propósito, esclareço: não estou no teto nem no piso dos inativos. Mas reconheço que, na comparação com jubilados privados, estou melhor. E, se quisesse, melhor estaria. Explico: faz mais de 10 anos que tenho direito de me aposentar, também, pelo INSS, porquanto sempre contribuí para a Autarquia Federal. No entanto, por ser contra uma 2ª aposentadoria, dela abri mão.
Quem me lê, sabe: sou crítico das nababescas aposentadorias, que existem, e das acumuladas aposentadorias (2, 3 de governadores, parlamentares, “bolsa-ditadura” do Lula etc), que também existem. Assim, guardo coerência entre discurso e prática. Do contrário, estaria no rol dos moralistas de maus costumes, que vicejam por aí.