sábado, 27 de abril de 2013

FALTA UM




Foi aprovado no Senado, mas ainda não é lei. O projeto agora vai passar pela Câmara dos Deputados. Se passar, vaticina-se, será sancionado pela presidência da República. Cumpridas, então, mais essas duas etapas, teremos um novo estatuto, o Estatuto da Juventude, sobre o qual faço breves considerações. A diz com a faixa etária que o projeto considera juventude: entre 15 e 29 anos, quando, para a Organização das Nações Unidas, juventude é a idade que permeia o término da adolescência (18 anos) com o início da idade adulta (24 anos). Como se vê, nenhuma das duas fases da vida das pessoas está em sintonia com a definição da ONU; a é que, no Brasil, já temos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que vai de zero a 18 anos, e o Estatuto do Idoso, a partir dos 60 anos. Assim, editado o novo Diploma legal, ficarão a descoberto apenas as pessoas com idade entre 30 e 59 anos.

Importa concluir que apenas as pessoas entre 30 e 59 anos não terão seu estatuto. Logo, estarão excluídas, e toda exclusão é odiosa. Urge, por isso, seja criado mais um estatuto. Quem sabe o Estatuto do Quase Idoso, ou Estatuto do Futuro Idoso, ou Estatuto do Ex-Adolescente, ou, ainda, o Estatuto dos Esquecidos. Só assim nenhuma faixa etária poderá, envergonhada ou indignada, dizer que pertence ao grupo institucionalmente ignorado.

Com as devidas vênias do seu autor, o projeto é mais um arranjo. Mais um corporativismo, digamos. No serviço público, isso muito já se fez. Com penduricalhos para cá, penduricalhos para lá, servidores do Executivo e do Legislativo estaduais incorporaram vantagens absurdas, valendo-se, entre outros artifícios, de cedências a funções superiores. Cedido, no novo cargo, depois de alguns anos, às vezes meses, o servidor incorporava polpuda função gratificada (FG). A estratégia era mais frequente entre servidores com tempo de serviço ou idade próximos da aposentadoria. Na inativação, levavam considerável acréscimo. Até rodízio era feito entre servidores, numa troca inescrupulosa de favores. O trem da alegria só acabou com a promulgação da Carta de 1988, se é que acabou, porque o jeitinho é da nossa cultura.

O Estatuto da Juventude concede às pessoas com idade entre 15 e 29 anos, além de outros benefícios, meia-entrada em eventos culturais e esportivos e passagem livre em ônibus interestaduais. Ótimo para quem está nessa faixa etária, sobre quem, aliás, sequer será levado em conta a condição social ou econômica. Só que, como dizem os economistas, não existe almoço de graça. E quanto maior o número dos favorecidos, maior o encargo de quem paga por essas conquistas. Quer dizer, para alguém vai sobrar a conta. Se você pensou em nós, contribuintes, acertou.

Recentemente, em Porto Alegre, estudantes, líderes políticos e oportunistas, a pretexto de combaterem aumento da tarifa de ônibus, promoveram confusão que foi muito além do desconforto causado no trânsito da cidade. Nada contra os protestos se não promovessem, em nome da liberdade de manifestação, danos ao patrimônio público e agressões a policiais e autoridades. Mas esse movimento também teve seu lado positivo ao trazer à tona uma questão que estava escondida. Revelou que da tarifa de ônibus da capital do Estado, fixada pelo prefeito Fortunati em R$ 3,05, 30% (trinta por cento)do valor se deve às incidências de isenções, que, por óbvio, são repassadas.

O caso de POA não é isolado; é apenas um exemplo. A propósito, é comum nas disputas entre patrões e empregados, entre Estado e servidores, entre governo e contribuintes se ouvir falar em avanços sociais. No mais das vezes, no entanto, aquilo que se tem por conquista social não passa de retrocesso.

O Estatuto da Juventude em comento, além de contraditório, que o espaço não me permite aprofundar sua análise, tem cunho demagógico. Sem dizer qual a fonte desse custeio, é mais uma conta a ser paga por nós, contribuintes indefesos. Por outra, o lado o lado bom que contém, o das políticas públicas, já consta dos direitos assegurados pela Constituição.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

“PIOR QUE O CAOLHO




 Com José Mujica, presidente do Uruguai, não tem meias palavras. Ao se referir à homóloga Cristina Kirchner, disparou: ”Esta velha é pior que o caolho.”Caolho é (era) Nestor Kirchner, ex-presidente e marido da presidente da Argentina. Cristina exigiu retratação. Mujica silenciou. Ficou o dito pelo dito.
Cristina conduz muito mal a Argentina. Os números da inflação, do PIB e do desemprego do país são maquiados.No Mercosul, ela desrespeita os países do Bloco, inclusive o Brasil, com a conivência da presidente Dilma. Que o digam os fabricantes de calçados e de máquinas.
Mujica, ex-guerrilheiro Tupamaro, é coerente. Defensor dos pobres, com ele discurso e prática andam de mãos dadas: a) usa seu automóvel (um fusca antigo) ao invés do carro oficial; b) abriu mão das mordomias do Palácio do governo para residir na sua modesta chácara no interior de Montevideo. Ele me faz lembrar D. Elder Câmara. Defensor dos pobres, o saudoso arcebispo viveu franciscanamente como sempre pregou.
                                         
TROCA DE FIGURINHAS
José Dirceu, indignado com sua condenação no mensalão, ataca Luiz Fux. Diz que o ministro só chegou ao STF pela promessa de absolvê-lo. O ex- ministro do Lula, querendo ou não desqualificar o ministro, expõe as vísceras do Poder. Por outro lado, sua raivosa reação dá razão aos ministros que adotaram a teoria do domínio do fato, isto é, o chefe sabia – para não dizer, participava – das falcatruas montadas nas entranhas do governo federal. Se houve troca de figurinhas entre Dirceu e Fux não sei. Mas a acusação revela o grau de promiscuidade que envolve o critério de nomeação de ministros do STF. É um toma lá, dá cá. Como, com Fux não deu certo, Dirceu se sente traído. A propósito, no momento em que s e trava nova luta pela vaga com a aposentadoria do ministro Ayres Brito, é visível o empenho do PT em nomear alguém alinhado a Dirceu. Ilibada conduta e notório saber, ficaram em segundo plano. Que vergonha!

(IN) GOVERNABILIDADE    
O Estado caminha célere para a ingovernabilidade. Tarso Genro sacará R$ 4,2 bilhões dos precatórios (que são das partes litigantes em juízo) para financiar o déficit do seu governo. Além disso, deixará mais R$ 10 bilhões referentes ao piso do magistério que, como ministro, criou mas, como governador, não paga. Com esse estoque de dívidas, ao próximo governo restará administrar a folha dos servidores. A senadora Ana Amélia, palestrando a empresários, questionada se seria candidata ao Piratini, respondeu: “Algum dos senhores assumiria o governo do RS nas condições em que está hoje?” Ninguém se habilitou.

     POBRES ÍNDIOS!
Ao ver crianças indígenas mendigando pelas ruas, é forçoso lembrar a saga dessa espécie. Sobre os nativos, os brancos se dividem. Para os mais radicais, os índios mereciam ser exterminados; para os mais tolerantes, os índios deveriam ser incorporados à sociedade não índia, na qual seriam “civilizados”. Logo, para os intolerantes ou tolerantes, o fim seria o mesmo: a eliminação da espécie. Menos mal que a CF/88 rompeu essa lógica.
Recente matéria publicada em revista destaca que, no século 14, a malária matava muito na Europa. A doença, a bordo de navios negreiros, chegou ao Brasil. Aqui, os índios já a curavam com o extrato da casca da cinchona. Os jesuítas levaram mudas da planta para a Europa. Lá, químicos franceses, isolaram a quinina, presente na cinchona, e desenvolveram o remédio. De quebra, descobriram a água tônica, refrigerante de quinino. 
Sobre os índios, Leonardo Boffleciona: "a sabedoria de suas culturas se teceu mediante uma sintonia fina com o universo e a escuta atenta da terra. Sabem, melhor que nós, casar céu e a terra, integrar vida e morte, compatibilizar trabalho e diversão, confraternizar ser humano com a natureza". Temos muito a aprender com os índios.

terça-feira, 12 de março de 2013

BIFE À CAVALO, SIM. DE CAVALO, NÃO

Bife à Cavalo é um prato brasileiro. Por isso, é comum se ouvir em restaurantes: “garçom, prá mim um bife à cavalo”. No cardápio, o ‘a’ sem crase e, às vezes, com ‘cavalo’, uma só palavra: acavalo. A crase, à frente da palavra masculina, soa errado. Mas não é. No caso, o ‘a’ deve ser craseado por se tratar de locução prepositiva: “à moda da casa”. É a minha conclusão. Se estiver errado, corrijam-se.

Dito isso, volto ao título. Bife à Cavalo é uma fatia de carne de boi coberta por ovo frito (para os gulosos, dois ou mais), complementada por fritas e arroz. Um prato muito apreciado. Quem por ele opta, principalmente frente a nomes sofisticados das cartas, não corre risco de deixar a comida no prato nem o estômago roncando. Todavia, não se há de confundi-lo com bife de cavalo.

No Brasil, é pouca consumida a carne de cavalo, ao contrário de Inglaterra, França, Itália etc. Em Londres, entretanto, a agência de segurança alimentar encontrou carne de cavalo em hambúrgueres e lasanhas como se de carne bovina. Pronto! Instalou-se uma crise, que poderá comprometer nossas exportações de carne bovina. Porém, o problema está na fraude, não no produto.

Quando guri, eu adorava mortadela (a mortaNdela). Na minha casa não existia, mas era comum em bailes do interior, vendida em rodelas. Uma delícia! Mas, talvez por consumi-la em excesso, passaram a me dizer que o embutido era de carne de cavalo. Foi um freio em minha voracidade estomacal. Mas, afinal, carne de cavalo não tem valor alimentício ou, pior, é prejudicial à saúde? Nada disso. Provado cientificamente, é nutritiva e não faz mal. Portanto, consumi-la ou não é, tão-só, uma questão cultural.

Para o gaúcho, com mais razão, pela força da tradição. O cavalo, além de amigo, é seu meio de transporte. Sacrificá-lo, só quando acometido da incurável anemia infecciosa. Imagino como seria, ao término de uma cavalgada, o cavaleiro assim se despedir do animal: “tordilho, você já deu o que tinha a dar; será transformado em salame”. Ou imaginemos aqueles mais de cem gaúchos que, em 1930 (início da Era Vargas), amarraram seus cavalos no obelisco da Av. Rio Branco, no RJ, na volta ao RS: “missão cumprida, agora é açougue prá ti”. Seriam decisões inaceitáveis.

Não faz muito, encontrei receitas à base de MOSCAS, BARATAS, FORMIGAS, GAFANHOTOS, GRILOS. Repassei-as ao Guanaco. Esses exóticos pratos, segundo revista especializada, têm valor nutritivo superior ao das carnes tradicionais. Nas mãos desse renomado chef de cozinha, então, serão pratos disputadíssimos.

A carne de cavalo não é alimento preferido dos brasileiros. Muito menos dos gaúchos.Mas, como dito, por uma questão cultural. No RS, a relação entre o homem e o cavalo é de amor. Faz, pois, parte da família gaúcha. Por isso que, na base dessa questão - friso -, está um dado cultural. A propósito, vaca e cavalo comem, basicamente, os mesmos alimentos. A vaca fornece leite ao seu dono. No entanto, cumprido seu ciclo útil, o destino é o açougue, quando não, “sangrada” pelo próprio dono. Já, para o cavalo, o tratamento final é outro.

A ligação entre o gaúcho e o cavalo é tão grande que já mereceu muitas canções. Aliás, muito comuns entre nas disputas nos festivais nativistas ou regionalistas que se desenvolvem no Estado. Expressões como flete, pingo, substituejmsão encontradas a todo momento.

O liame indestrutível do gaúcho com o seu animal preferido está retratado fidedignamente por Luiz Carlos Borges e Mauro Ferreira na canção Florêncio Guerra. O peão cumpriu a ordem do patrão. Matou seu cavalo. No entanto, tomado pelo sentimento de amor, se matou em cima do animal. Diz:
 
Florêncio afiou a faca para matar seu cavalo;
Florêncio Guerra das guerras do tempo em que seu cavalo,
Pisava estrelas nas serras pra chegar antes dos galos;
Parceiros pelas lonjuras na calma das campereadas,
Um barco em tardes serenas um tigre numa porteira,
Pechando boi pelas primaveras sem mango sem nazarenas.

O patrão disse a Florêncio que desse um fim ao matungo:
Quem já não serve pra nada não merece andar no mundo;
A frase afundou no peito e o velho não disse nada,
E foi afiar a faca como quem pega uma estrada.

Acharam Florência morto por cima do seu cavalo,
Alguém que andava no campo viu o centauro sangrado,
Caídos no mesmo barro voltando pra mesma terra,
Que deve tanto ao cavalo e tanto a Florêncio guerra.

Entre o gaúcho e o cavalo há um sentimento permeado pelo respeito recíproco. É um dado cultural, característico do ambiente em que as pessoas vivem.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

EFEITO ESTUFA


Oficialmente ainda não é verão, mas o calor já assusta. Na média, Santa Rosa tem sido o lugar mais quente do RS. A sensação é de que, a cada ano, a temperatura aumenta. Não por acaso, esses escaldantes dias nos levam à seguinte inquietação: seria consequência do efeito estufa? Talvez. Antes, porém, dessa despretenciosa análise, é preciso assentar que o demonizado efeito estufa tem também o lado bom: mantém as condições ideais à vida. Graças a ele, a temperatura média da Terra fica em 15 graus centígrados positivos. Sem ele, seria de 30º a 18º negativos. Isto é, promove o equilíbrio da atmosfera, ameaçada desde a Revolução Industrial (século XIX).
Não é de hoje que ambientalistas se preocupam com a agressão à atmosfera pela emissão de agentes de coerção radioativa. Fruto dessa pressão, a ONU realizou, no RJ, a ECO 92, a qual estabeleceu ser o meio ambiente responsabilidade de todos os Países. Em 1995, na Alemanha, realizou-se a 1ª Conferência que ratificou a ECO 92, sem, mais uma vez, resultado animador. Em 1997, no Japão, foi firmado o Protocolo de Kyoto, sem a adesão do então presidente Bush. Mas com Obama nada mudou. Os EUA, até bem pouco o País mais poluidor do Planeta (hoje, a China), não admitem prejudicar sua economia. Prejudicar a vida, sim.
Da ECO 92 até passar pelo Protocolo Kyoto, a ação da ONU, provocada pelos ecologistas, até aqui tem pálida contribuição para reduzir a emissão de gazes. É verdade que já nos livramos das propagandas subliminares (cigarro como sinônimo de sucesso; artistas charmosas, subreticiamente patrocinadas pela indústria do tabaco) e avançamos na formação de uma consciência ecológica coletiva. Também é de se saudar - e nisso a novidade - a ciência voltada para a vida, a qual estuda transformar poluição em combustível, com a promessa de gerar energia e limpar o ar, e de quebra, gerar lucro.
Sobre esse invento, cientistas ingleses da AIR FUEL SYNTESIS dizem ter o segredo. É um processo em que o ar atmosférico, combinado com soda cáustica, gera, como reação, CO2 (gás carbônico) puro. Depois, mediante corrente elétrica, é quebrado o CO2, transformando-o em carbono e oxigênio. O car bono misturado com hidrogênio forma os hidrocarbonetos, entre eles, a gasolina. Coisa cara, longe do nosso alcance, que o Planeta não pode esperar.
Por outro lado, estudos indicam que nosso clima se sustenta, hoje, em frágil equilíbrio. Segundo o relatório do IPEA/2008 - e desde lá nada mudou -, nas próximas décadas a temperatura pode subir entre 1,8º e 6º, com conseqüências catastróficas. Urge, pois, sair da retórica, cada um fazendo sua parte. Às vezes, através de coisas simples. A respeito, uma pergunta: nas reformas das praças, por que da primazia do concreto sobre o verde?
Para finalizar: o projeto de revitalização (ou que outro nome venha a ter) da Av. Expedicionário Weber merece aplausos. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

COLUNA - 24/11/2012


PAULO MALUF CULPADO
Paulo Maluf (PP), que se sempre se vangloriou de ter sido absolvido de todos os processo que enfrentou em sua vida pública, sofreu um duro revés. A Justiça acaba de reconhecer que depósitos feitos no paraíso fiscal inglês Ilha de Jersey, no valor de US$ 10,5 milhões, originaram-se de desvios que o deputado fizera quando prefeito de SP. Esse caso, mais o julgamento do mensalão em curso no STF, dão um novo alento à moralidade pública.
MINISTRO DIAS TOFFOLI (1)
Dias Toffoli que, no julgamento do mensalão, revelou-se despreparado e subserviente aos que o indicaram ao STF (Lula, José Dirceu), na dosimetria das penas aos mensaleiros passou a defender penas leves. Um gesto que “comove” pela sua compaixão a corruptos! Pela sua tese, as penas passariam a ser de fachada, em que o réu é condenado mas não é preso. Só que, não faz muito, no julgamento do dep. Natan Donadon (PMDB-RO), o mesmo ministro aplicou-lhe 13 anos. Cadê a coerência, ministro?
MINISTRO DIAS TOFFOLI (2)
Esse mesmo ministro, nada mais podendo fazer em defesa dos seus parceiros do PT, disse que “privar as pessoas de liberdade, é medieval”, e que “pedagógico é aplicar multas pecuniárias”. A tese poderia ser discutível se não partisse dele que, no julgamento histórico ainda em andamento, teve ridículo e comprometedor papel.
MINISTRO DIAS TOFFOLI (3)
Os réus do núcleo político do mensalão, já condenados, ao que a mídia apurou, já se desfizeram de seus bens. Com isso, escapam ou, no mínimo, dificultam o ressarcimento aos cofres públicos dos valores desviados para a compra de deputados. Importa dizer que o ministro sabe que, com pela sua nova tese, os mensaleiros não cumpririam as penas da condenação e, de quebra, ficariam livres de ressarcimentos. A tese soa ode à impunidade.
FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO
Até chegar ao poder, o PT era o paladino da moralidade. Era a única vestal. Não hesitava exigir cadeia para os corruptos. Correto! Só que, agora, com a exemplar lição que o STF lhe aplicou, acha que as prisões estão em estágio medieval. Antes, “pimenta nos olhos dos outros era colírio”.
COMPRA-SE TUDO?
Infelizmente, sim. A catarinense Ingrid Migliorini leiloou sua virgindade. Não faltaram licitantes ao, até bem pouco tempo, recanto do recato feminino. Venceu um japonês com o lanço de US$ 780.000. Ingrid cede à lógica da economia de mercado: todo o bem ou serviço tem seu preço.

sábado, 2 de junho de 2012

TEMA DO ENCONTRO RESERVADO

O mensalão do Lula, o maior escândalo de todos os tempos, está para ser julgado pelo STF. A expectativa é grande. A imprevisão do desfecho, também. Esta, por conta de um problema que está na raiz dos problemas dos tribunais superiores: a nomeação dos seus ministros ao talante da presidência da República. Hoje, oito dos 11 ministros da Corte foram nomeados por Lula. Entre eles, Dias Tófoli, ex-advogado do PT, descolado da ciência jurídica que impõe a toga.

O ex-presidente, que tudo fez para abafar esse monumental escândalo e, com isso, preservar José Dirceu, Delúbio, Marcos Valério e outros tantos amigos seus, acaba de comprometer ainda mais sua biografia ao pressionar ministros do Pretório excelso para que essas e outras figuras das suas relações não sejam julgadas em 2012. Foi o 2º tiro que Lula deu no próprio pé. O 1º foi quando das denúncias envolvendo Cachoeira, das quais se valeu, a um, para se vingar do governador Perillo (PSDB), a dois, para desqualificar o mensalão. O 2º, friso, agora com a reunião que promoveu com o ministro Gilmar Mendes no escritório do Nelson Jobim.  

Lula, como é público, quando estourou o escândalo do mensalão, primeiro o negou, depois se disse indignado e traído. No entanto, se negou dizer quem o traíra. Como, na empreitada, não teve sucesso, arranjou uma terceira desculpa: o Caixa 2, como se tal prática fosse lícita ou eticamente defensável. Sem ressonância também com essa infeliz tese, passou a pregar a inocência dos acusados para culminar com o despudorado corpo-a-corpo com ministros.

É claro que a recente “sugestão” de Lula a Gilmar, para que o julgamento do mensalão seja adiado, é negada por ele. A negativa, entretanto, faz parte do seu histórico. Ademais, contrária à lógica. Em 1º lugar, o PT  não quer o julgamento dos 37 denunciados em ano eleitoral. Em 2º lugar, se o julgamento for transferido para 2013, vários dos crimes da denúncia prescreverão. Em 3º lugar, em novembro os ministros Ayres Brito e Cezar Peluso, que dão sinais de independência, serão atingidos pela aposentadoria compulsória, abrindo vagas para a nomeação de ministros convictos da inocência dos asseclas do ex-presidente.

A esse passo, impressiona o comportamento do PT. Contra as evidências, incondicionalmente inocenta o Lula. E mais, quem ousar criticá-lo, passará a ser inimigo da Pátria. Isso me faz lembrar o Regime Militar. É verdade que a paixão cega as pessoas. Já vivi essa experiência. No passado, coordenei a campanha do Collor na região e me posicionei contra Maluf por tê-lo como ímprobo. Não me arrependo em relação ao então candidato do PDS. No entanto, em relação ao caçador de marajás, percebi, tão logo eleito, que havia embarcado em canoa furada. Reconheci o erro.  Errar é humano. Mas isso não dá a ninguém, como não me deu, o direito de continuar cego. Por isso, Carta de Alforria a todos que tenham por credencial a identificaç o partidária, é nivelar a indecência com a decência, o mal com o bem.

Lula, por sua vez, ao atuar no “varejo”, rasga a liturgia do cargo que exerceu e demonstra que está mais para falastrão do que para de estadista.

Mas, afinal, que assunto tinha Lula para uma conversa reservada com Gilmar? Do assunto, o ministro se diz chantageado. O ex-presidente nega. E o anfitrião nada ouviu (sic). Ora, alguém está mentindo. Eu, porém, para não fazer um juízo precipitado do mal cheiroso encontro, depois de pesquisar e, até, consultar os búzios, encontrei o fio da meada. O encontro de Lula com Gilmar, intermediado por Jobim, foi para discutir a causa que comprometeu a estrutura que dá suporte à caixa d´água da Praça de Cruzeiro como noticiado,  na iminência de ruir.

sábado, 26 de maio de 2012

BRAVA, XUXA!

Ela nasceu em Santa Rosa, faz 49 anos. No batismo e no registro civil levou o nome de Maria da Graça Meneghel. Viveu seus primeiros anos nesta cidade. Quando tinha 10 anos, mais ou menos, seu pai Luiz, à época militar, foi transferido para o RJ. Então, ela e seus irmãos, com seus pais, foram morar na antiga capital do Brasil.

Lá cresceu - e como! -, mas o que chamou atenção foi sua beleza. Aliás, continua encantadora. Até parece que o tempo, essa marcha inexorável que tantos estragos físicos causa às pessoas, para ela não passa. Com a mão de alguns e a visão de outros, tornou-se modelo. De modelo a apresentadora de televisão, foi um passo. De apresentadora, a rainha dos baixinhos, um adjetivo que nela colou. Na TV há mais de 25 anos, revelou personalidade, carisma e talento. Ora, ninguém fica por tanto tempo no ar sem atributos pessoais.

Como apresentadora de TV e artista, tornou-se conhecida pelo pseudônimo  Xuxa. Pelo nome oficial, poucos a conheciam. Foi por isso que um dia, através de um familiar da Maria da Graça, fui contratado para promover a alteração de seu nome. Ou melhor, para promover a inserção de mais um nome em seu registro de nascimento, o nome que a identificava no País e no mundo: Xuxa.

Esse processo ostento como um troféu em meu currículo de advogado. É claro que ela nem sabe que eu existo. Mas promovi judicialmente essa alteração, passando ela a denominar-se, oficialmente, Maria da Graça Xuxa Meneghel. Os autos originais do feito estão no Memorial Casa da Xuxa, em Santa Rosa. Esclareço que os processos, uma vez encerrados, vão para os arquivados do Tribunal de Justiça. As partes e seus advogados podem deles retirar apenas peças e fotocopiar folhas. No caso, porém, em atenção a um pedido que dirigi ao Presidente do Tribunal de Justiça do RS justificando que o valor histórico do documento residia nas peças originais, os autos me foram liberados e, por mim, repassados para o Memorial na Avenida Rio Grande do Sul.

Faço esse breve retrospecto para dizer que no último domingo, no Fantástico, na TV Globo, a nossa conterrânea deu uma longa e bombástica entrevista. Revelou coisas da sua intimidade, reprimidas, que só pessoas de coragem e caráter são capazes tornar públicas. Entre elas, que foi abusada sexualmente na sua adolescência por pessoas da relações de amizade de seus pais, mas que nunca pôde revelar com mede de ser responsabilizada, e que a marcaram indelevelmente para sempre.

A respeito, ouvi os mais desencontrados comentários. Alguns, inclusive, acusando a Xuxa de uma jogada de marketing. Ora, ela não precisa disso. Ainda bem que a esmagadora maioria sentiu-me comovida pela sinceridade da entrevistada. Aliás, sua manifestação caiu como uma louva no momento em que a exploração sexual está na ordem do dia. Foi, a meu sentir, uma importante contribuição, especialmente pelo alerta de que a pedofilia, em sua quase totalidade, acontece dentro da própria casa dos menores. Outra contribuição foi sobre os sinais que as vítimas de abusos sexuais dão: dificuldades de aprendizagem, medo de ficarem sozinhos, dificuldades de contarem à mãe, xixi na cama etc.

Então, quem achou que a mais importante filha da terra fez, da entrevista, uma forma de melhorar sua popularidade, respondo que tal conclusão é lamentável e revela total desconhecimento da alta incidência dos abusos sexuais, dos traumas definitivos que os abusados passam a carregar e da banalização desses hediondos crimes.

Xuxa rompeu com o silêncio e a cegueira que ainda “guarnecem” crianças e adolescentes maltratadas. Dos menores ofendidos, por temor; dos familiares, pela vergonha que sentem, quando não, pela cumplicidade.