quarta-feira, 25 de março de 2015

VÍNCULO FAMILIAR

Teve gente que não gostou da matéria sobre o Aécio Neves que publiquei nesta coluna, na semana passada. Isso não me intimida. Ao que apurei, todos que não gostaram do que escrevi são defensores da Lei da Mordaça, travestidos de democratas.Mas também muita gente aplaudiu a hipótese de Santa Rosa vir a ser conectada política e afetivamente com Brasília.De minha parte, nada tenho a retificar. A história se faz com fatos fidedignos. Por outro lado, manifestar apoio a este ou àquele condidato depois das eleições, será tarde e falso. Lembro de um fato ocorrido no tempo das eleições indiretas, anos 70. O Amaral de Souza disputava, internamente, sua indicação ao presidente da República para, uma vez aprovado em Brasília, ser nomeado governador do Rio Grande do Sul. Querendo mostrar força, dirigiu-se aos diretórios municipais do PDS do Estado pedindo apoio à indicação do seu nome. O diretório de Tuparendi, querendo ficar de bem com o Amaral de Souza e também com os outros postulantes ao Palácio Piratini, respondeu que se ele viesse a ser o escolhido poderia contar com o apoio do partido do vizinho município. A resposta virou gozação. Ora, uma vez nomeado governador, Amaral de Souza não mais precisaria do apoio de Tuparendi; o contrário, sim.
                                           REELEIÇÃO
A reeleição para o Poder Executivo é uma experiência, a meu sentir, que não deu certo, em especial pelo desequilíbrio de forças que o sistema estabelece, em desfavor, é claro, de quem não está no poder. O chefe do Executivo, candidato a um novo mandato, não precisa, sequer, se desincompatibilizar para concorrer. Por óbvio, as armas dos concorrentes alheios ao poder são inferiores. Por outro lado, quem exerce um mandato tem o que mostrar, por mais pífia que tenha sido sua administração. A campanha eleitoral que se encerra com a eleição para presidente foi, a meu ver, a mais belicosa de todas. Em grande parte se deve à busca da reeleição pela Dilma, porque, quem está no poder, a ele se apega a ponto de transformar a eleição em questão de vida ou morte. A rigor, esse apego ao poder é uma defesa em causa própria pelo temor de que, passando o bastão para mãos inimigas, os malfeitos venham a ser passados a limpo. A reeleição foi instituída por FHC, em processo até hoje mal explicado. Para Aécio, como seria para Marina, a reeleição estaria com os dias contados. Para Dilma, não. O apelo ao poder está falando mais alto. Pelo menos é o que se extrai do pouco que os candidatos debateram sobre o tema. Acho que o ideal seria mandato de cinco anos, sem reeleição.
                                         DEMONIZAÇÃO
Os petistas, por conta das condenações no Mensalão, que levaram algumas das suas proeminências à cadeia, demonizaram o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo. Eu, no entanto, a respeito, digo que o relator do até aqui maior escândalo da história política brasileira só pode merecer elogios. Trata-se de cidadão que dignificou a cadeira que ocupou no STF. Não fosse ele, o resultado seria a absolvição dos mensaleiros pela clássica ‘insuficiência de prova’, tese sustentada pelos subservientes Tófoli e Lewandoski, felizmente derrotada. Agora, na inatividade, Joaquim Barbosa encaminhou a revalidação da sua Carteira de Advogado, um direito de todos os juízes aposentados. Pois o presidente da OAB/DF, condoído com José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, negou a expedição da Carteira! Que absurdo! Isso tem nome: inversão de valores, isto é, enquanto os larápios do dinheiro público são aplaudidos, o herói da batalha contra eles noSTF é execrado. Não tenho dúvida que, mantido o indeferimento à Carteira pela OAB/DF, Joaquim Barbosa irá buscá-la através de ação judicial. No entanto, causa indignação ver que corruptos, condenados com trânsito em julgado, têm seguidores e defensores, inclusive nos altos escalões do governo.
                                              SUCESSÃO

Se Dilma e Tarso não se reelegerem, respectivamente, presidente e governador, o quadro sucessório municipal local poderá sofrer influência, inclusive mudar o rumo. O Orlando, que desde o dia em que passou a ‘faixa prefeitural’ ao Vicini está em campanha à reeleição perdida, em 2012 fez das três estrelas conduzidas por um cometa, que saía de Santa Rosa, passava por POA e aterrissava em Brasília, a ideia central da sua candidatura. Ocorre que esse corpo do sistema solar com uma estrela cadente, perde força; com duas, sobra-lhe a cauda. 

AÉCIO NEVES, O GENRO DE SANTA ROSA

Fui amigo do MÍLTON WEBER, o NEGO, já de saudosa memória, nascido e criado em Santa Rosa, mais precisamente na esquina da Av. Santa Cruz com a Rua Buriti, local em que funcionava um bar, o famoso por décadas Bar do Weber, hoje Padaria Pão Quente. Nos fundos do prédio, em peça com quarto e banheiro, por alguns anos fui inquilino do seu WALDEMAR WEBER, o patriarca da família Weber. Os contemporâneos do Nego se lembram da figura alegre, afável, mas, particularmente, pela marca indelével que deixou: a gargalhada que costumava dar em meio ao silêncio da exibição de filme no CINE ODEON (Lojas Colombo, hoje), época em que o cinema era programa obrigatório nos domingos à noite.
 O Nego, com vinte e poucos anos de idade, casou com uma moça de Panambi, transferindo-se, definitivamente, para aquela cidade. O casal, ele santarrosense, ela panambiense, teve duas filhas. Faz mais ou menos 8 anos que o Nego perdeu a vida de forma trágica: morreu atropelado por um cavalo disparado, enfurecido, em desabalada correria em meio ao público em um rodeio crioulo onde ele e sua família se encontravam, transformando, o que era um dia de lazer, em dia fatídico para familiares e amigos seus.
 Feita essa breve apresentação, impõe-se esclarecer a razão dela. Respondo: a razão é peculiar, simples, porém, carrega um pouco de história. Ocorre que o Nego é ninguém menos que o pai da LETÍCIA WEBER, esposa do senador AÉCIO NEVES, candidato à presidência da República. Ela se tornou conhecida dos eleitores pelo seu trabalho nas redes sociais na campanha eleitoral do primeiro turno. Há três semanas, Aécio e Letícia batizaram o casal de filhos gêmeos que tiveram em junho deste ano.
 O saudoso Nego, o caçula da família, deixou um irmão, o ARI, mais conhecido por WEBÃO, além de duas irmãs. O Webão, tio da Letícia e, pelos laços afins decorrentes desse casamento, de Aécio também, continua residindo em Santa Rosa, no Bairro Central. Importa dizer que esta Região nunca teve laços afetivos tão estreitos com alguém do poder Central, hoje Senador da República, amanhã, quiçá, presidente do Brasil.
 Se Aécio Neves ascender à presidência da República, e essa possibilidade é real, a partir de 2015 a primeira-dama do Brasil será uma quase santarrosense, ou seja, uma filha de um filho de Santa Rosa, o que, para a Região que vive uma quase orfandade política, não seria pouco. Por isso, o futuro presidente – com o perdão dos linguísticos pelo neologismo – ostentaria o título de Genro de Santa Rosa ou, dependendo da preferência, Santa Rosa passaria a ser a Terra do Sogro do Aécio. Seria o 4º título. Até aqui, são três: 1ª) Berço Nacional da Soja; 2ª) Terra da Xuxa; 3ª) Terra do Musicanto. Ampliar para quatro títulos seria uma boa, tendo por foco, no caso, a ideia de que conviver é um ato político. Logo, em assim sendo, o convívio com alguém com raízes ainda em nosso solo, mais próximo, e por consequência, mais eficaz ainda poderá vir a ser o convívio político.
 Quando se pensa em representação política, pensa-se no detentor de cargo político e se ignora a companheira do político. No máximo se diz tratar-se da esposa do fulano de tal, o que é um desrespeito para quem anonimamente dá suporte ao político bem sucedido e tem luz própria. Para tornar menos árida a conversa, vamos a exemplos: EVITA PERÓN, esposa de presidente JUAN DOMINGO PERÓN, da Argentina, perpetuou o peronismo no país sem nunca concorrer a cargo algum. Por certo que uma reivindicação a ela, e por ela aceita, tinha peso de presidente. O mesmo diga-se em relação a MICHELE OBAMA, a primeira-dama dos EUA, que, sem ser política, tem índice de aprovação maior que o maridoBARACK OBAMA, presidente, quer por suas obras sociais, quer por sua elegância. A propósito, no quesito elegância, Letícia não fica para traz: é modelo e revela bom gosto, inclusive, segundo mulheres que já ouvi, na escolha da sua cara-metade.

 Lembremo-nos que, por essa ligação familiar, se eleito presidente, Aécio estará a um passo de ser aliado da Região na solução de problemas históricos (ponte internacional, por exemplo), haja vista que, embaixo do mesmo lençol, a dois, importantes decisões são tomadas. Lembremo-nos que o último presidente a visitar Santa Rosa foi João Figueiredo, em FENASOJA.

DELAÇÃO PREMIADA

   Delação premiada, expressão até bem pouco desconhecida, passou a fazer parte da agenda da Justiça. Confesso que, quando o favor legal começou a ganhar manchetes, senti repugnância. Quando alguém manifestava interesse em valer-se do benefício, vinha-me à mente a transmutação do fundamento ético pela imoral premiação do traidor. Tinha a sensação de ver a imagem repugnante do dedo-duro. Era a reação ao ver se transformar em pó para, em seguida, o vento dissipar tudo quanto aprendi com meus pais e mestres e nos embates da vida. Enfim, muitas coisas alicerçadas na ordem jurídica em marcha acelerada a me causar desconforto. Mas como em tudo, esse impacto inicial foi dando lugar a reflexões sobre novas concepções diante da realidade concreta. Por exemplo, faz pouco, o Mensalão do PT, agora, o Mensalão da Petrobras. Percebi, também, embora sem metodologia científica, que existem dois tipos de delatores. No primeiro grupo estão aqueles que delatam os companheiros dos malfeitos, para os quais juraram fidelidade até a morte. São aqueles que vão além da verdade infracional em troca de benefício pessoal. Em suma, entregam o “serviço” e, sem escrúpulo, vingam-se daqueles que não gostam. São os pusilânimes. Já no segundo grupo estão aqueles que ainda conservam, à falta de melhor conceituação, um pouco de pudor. São, pois, os delatores fidedignos das malfeitorias, porém, sem envolver nomes de terceiros e sem fazer do instituto um instrumento de vingança. Tudo fica limitado ao favorecimento pessoal diante do temor da ação penal. Poderia trazer à baila nomes que identificam os dois tipos. Limito-me, porém, a citar exemplos, um na esfera estadual (Detran), outro nacional (Mensalão), facilmente identificáveis. No caso ocorrido no RS, o exemplo é o de um conhecido lobista, identificado como empresário, que fez da delação premiada instrumento de vingança contra aqueles que, quando a casa caiu, o teriam abandonado. Já no caso de Brasília, o delator, sem se beneficiar do instituto, prestou um serviço à Nação. Aliás, sem sua “entrega” jamais teria sido desvendado o maior escândalo político até hoje, e corruptos de colarinho branco não teriam formado uma nova bancada, a bancada da Papuda.
   A bem da verdade, o instituto da delação premiada não é novo. Surgiu nas Ordenações Filipinas (Código compilado por Felipe II, da Espanha; Felipe I, de Portugal; adotado por D. João IV), através do qual o agente que confessasse a inconfidência ou que a qualquer momento a revelasse, era perdoado. Na época, os crimes eram outros: ampliação territorial, implantação de colônias, ocupação de terras etc. No Brasil, o embrião do instituto começou ainda no Império. Mas o grande impulso, que levou a reboque Legislativo e Executivo, foi dado pela jurisprudência. Em apertada síntese, são os seguintes os Diplomas a respeito: 1) Lei dos Crimes Hediondos (nº 8.072/90); 2) Lei dos Crimes Organizados (nº 9.034/95); 3) Lei dos Crimes Tributários (nº 8.137/90); 4) Lei dos Crimes do Sistema Financeiro (nº 7.497/86); 5) Lei de Lavagem de Capitais (nº 9.613/98); 6) Lei de Proteção das Vítimas e Testemunhas ( nº 9.807/99; 7) Lei de Tóxicos (nº 10.409/02, já revogada); 8) Lei de Drogas (nº 11.343/06). É possível que, no cipoal de leis, alguma tenha ficado de fora.
   A tendência é a consolidação da delação premiada. Ocorre, no entanto, que eu – friso - me encontro umbilicalmente preso a valores éticos. Mas, afinal, o que é ética? Para Mário Sérgio Cortella “é o conjunto de valores e princípios que você e eu utilizamos em nossa conduta”. Salvo melhor juízo, o filósofo/professor da USP está a rejeitar a ética individual em obediência à ética coletiva. No entanto, a conduta coletiva também pode mudar, e com frequência muda. Por exemplo: até bem pouco, fumar em lugar público era um direito do indivíduo. Hoje, fumar no mesmo local é proibido. É o novo comportamento individual submetido a uma conduta coletiva.


   A delação premiada passou a pautar a agenda da Justiça dada evolução do crime organizado, o qual, sem limites às vítimas, evoluiu acima da evolução dos órgãos oficiais. E nessa correlação de forças, o Estado perdeu a batalha. Daí a delação. E mais. Os próximos passos serão prisão perpétua e pena de morte. Opa!  É isso mesmo. Quem viver, verá.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DESTAQUE 2014

                                                                                   DESTAQUE 2014
Falar sobre pessoa da família gera um certo desconforto. Falar sobre as qualidades de familiar, então, pode soar exibicionismo. Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado, resolvi falar sobre um dos homenageados na última EXPOINTER, em Esteio, o ANACLETO L. GIOVELLI. Ele recebeu o prêmioDESTAQUE BADESUL/EXP0INTER 2014”. Na placa comemorativa que lhe foi entregue, está consignado “GESTÃO, EMPREENDEDORISMO, OUSADIA E COMPROMETIMENTO, ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS PARA O SUCESSO”.
A distinção em comento se deveu à excelência do projeto de irrigação agrícola que o Anacleto implantou em sua propriedade, no município de Santo Ângelo, a começar pela formação da barragem de captação com o aproveitado de água, exclusiva, de uma fonte que nasce em meio uma mata que preserva, mesmo que sua terra, em uma das divisas, margeie o Rio Comandaí em mais de 3 quilômetros de extensão.
Embora tenha ao longo da vida desempenhado diversas funções (professor, orientador educacional, delegado de educação, prefeito etc), o Anacleto sempre se manteve fiel à sua origem rural. Por isso, tudo quanto amealhou nas atividades desempenhadas empregou na agricultura, ora ampliando a propriedade, ora investindo em melhorias como correção de solo, adoção do plantio direto e, agora, na irrigação.
Sobre a implantação do projeto de irrigação, que lhe rendeu a comenda, Anacleto se declara entusiasta. Dinheiro para financiar projetos existe, com juros e prazos compatíveis. No entanto, segundo ele, um dos grandes entraves é a energia elétrica, ou porque não existe ou porque é monofásica ou bifásica. O outro obstáculo está a burocracia: são muitos os órgãos públicos tratando do assunto, e o pior, a maioria sem conhecimento suficiente para fazer a proposta avançar.
O conhecimento que adquiriu na área, e que lhe rendeu o título “Destaque Badesul/Expointer”, o Anacleto ofereceu, gratuitamente, à Região. Ninguém se interessou, exceto a Prefeitura de Ten. Portela. Confirma-se: “Santo de Casa não faz milagre”.
Enfim, o prêmio faz justiça a quem, quer na profissão, quer no voluntariado, tudo quanto faz é com paixão.
                
                                                       CASAMENTO GAY
O CTG Sentinelas do Planalto, de Livramento, foi incendiado. O motivo salta à calva: impedir que no local a Juíza Carine Labre realizasse casamentos mulher com mulher, homem com homem. A propósito, não tenho nada contra essas uniões. A vida íntima de cada um é a vida de cada um. No entanto, por que tanta exposição tratando-se de evento íntimo? Por que os gays de Livramento deveriam se casar em uma sociedade privada, conservadora?
Sou do tempo em que homem casava com mulher e vice-versa. É da nossa cultura a união entre pessoas de sexo diferente. Eu não tenho preconceito contra os gays, até porque, estou convencido, eles não o são por opção. Homossexual nasce assim. Clodovil dizia que quando morresse teria uma conversa com Deus para saber por que o Criador o fizera homossexual. Mas que é estranho aos nossos costumes a união de pessoas do mesmo sexo, é. E sendo celebrada em um CTG, mais ainda.
No caso, a Juíza quis: 1º, aparecer; 2º, provocar a ira das pessoas que têm, no seu CTG, um porto seguro na tradição familiar. Ora, realizar uma cerimônia que quebra um paradigma familiar não é semear harmonia; é semear discórdia.
Os CTGs nasceram para cultuar tradições. São sociedades com regras rígidas, mas dentro da lei. Logo, casamento de pessoas do mesmo sexo não faz parte da tradição gaudéria. Portanto, não tinha a Juíza o direito de determinar que, em um local não público, fosse realizada a badalada cerimônia.
A função de um Juiz é dirimir conflitos. Lá, ao contrário, ela gerou conflito. Se Sua Excelência tivesse promovido a cerimônia em sua casa, por exemplo, ninguém teria se incomodado. Fica, pois, a sugestão para o futuro.
 Deplorável, ainda, os custos do evento aos Erários estadual e federal. Para a cerimônia, estiveram em Livramento uma ministra da Dilma e uma secretária do Tarso, com seus respectivos assessores. Deve ser porque os cofres públicos estão abarrotados de dinheiro.

ABUTRES E CALOTEIROS

                                                               ABUTRES E CALOTEIROS
É por demais conhecida a soberba argentina. Ainda na última Copa do Mundo, nos jogos da sua seleção, os brasileiros provocavam os torcedores do Messi, Di Maria e Cia. dizendo que eles não se davam por satisfeitos comprando um ingresso por pessoa. Cada argentino comprava dois ingressos, um para si e outro para o ego que cada um deles carrega.
Sobre a dívida da Argentina para com investidores dos EUA, a expressão mais empregada é: eles são abutres. Já os credores devolvem as provações dizendo que os argentinos são caloteiros. É claro que ferir seu orgulho, é demais para a soberba dos hermanos. Aliás, soberba que é antiga, fortemente estimulada no governo Carlos Menem (1991 e seguintes), quando o seu ministro da Economia, Domingo Cavallo, que melhor pronúncia seria se o seu sobrenome tivesse um “l” só, deu ao peso equivalência de dólar: um peso valia um dólar. É claro que foi uma medida artificial. Mas a mágica cria situações que a vida real às vezes demora a desmistificar.
Hoje, o abacaxi está nas mãos da presidente Cristina, como, até bem pouco, esteve com Néstor. É do casal presidente - ele morto, ela reinando - a expressão abutres, como forma de humilhar aqueles que apenas querem receber o dinheiro que emprestaram aos caloteiros argentinos. Até aqui, tudo bem. Cada um usa a arma que tem. Aliás, em briga de bugios, a arma dos primatas é ... é isso mesmo. Faz mais estrago pelo mau odor que exala do que pelo impacto contra o alvo.
Independente de se saber se a culpa é de abutres ou de caloteiros ou de ambos, li uma matéria interessante sobre o patrimônio constituído pelo casal Kirschner quando Néstor, em Rio Gallegos, era advogado da Finsud, uma financeira que operava com cobranças. Quando o falecido presidente, como advogado, sabia que um proprietário deixava de pagar a parcela mensal do crédito, ele ia até a casa do devedor e explicava suas opções: a) ter a casa leiloada e ficar sem nada; a) vender a casa ao próprio advogado. Em apenas cinco anos, o casal “comprou” 22 propriedades, de pessoas que não podiam pagar - a preço de galinha morta.
Bem se vê que o conceito de abutre muda de devedor para devedor, de credor para credor.

                                                      NEGÓCIO DA CHINA OU DE CUBA
O Mais Médico é um fabuloso negócio que se divide em dois tentáculos: a) um para o lado econômico, em benefício da “democracia” de Cuba; outro para o lado eleitoral, em favor da reeleição da Dilma.
Só para relembrar, em agosto de 2013, chegaram ao Brasil os primeiros médicos cubanos com a finalidade de aumentar o número de consultas em regiões carentes. Um programa bom para os dois países: para Cuba, que passou a faturar financeiramente muito; para o governo do Brasil, que passou a faturar politicamente.
O balanço desse ano de funcionamento, com 11.400 médicos cubanos, apresenta o seguinte resultado: os cofres do ditador Raul Castro receberam, só do Brasil, R$ 1.160.000.000,00, e a Organização Pan-Americana de Saúde R$ 260.000.000,00. Para cada médico, o governo brasileiro paga R$ 10.400,00, só que, desse valor, 70% é confiscado pela ditadura de Cuba. Portanto, sobra para cada profissional apenas R$ 3.120,00. Ora, se isso não é trabalho escravo, é o conceito de trabalho escravo deve mudar.  

                                                                   HIPOCRISIA
No funeral de Eduardo Campos (PSB), vi políticos lamentando, outros chorando (lágrimas de crocodilo) a morte do candidato a presidente. Alguns são os mesmos que, não fosse a tragédia, logo adiante estariam achando defeitos e crucificando o ex-governador de Pernambuco. Mas na hora da dor, os oportunistas de plantão se apresentam. Alguns estavam inconsoláveis. É, morreu, vira santo. Ouvi, por exemplo: “Ah, quanta falta fará!” “Ele foi um exemplo de homem público.” “O Brasil está de luto e nós, brasileiros, órfãos.”
Ao Lula e a tantos outros menos votados que procuraram faturar com a desgraça da família Campos, cabe a frase do grande Machado de Assis no conto O Empréstimo: Está morto. Podemos elogiá-lo à vontade.”

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CONCERTO NO CENTRO CÍVICO

    Domingo não é o melhor dia para se assistir concertos. Pior ainda se for à noite. No entanto, se a atração é de alto nível, o público deixa o conforto da casa para um momento de levitação. Foi o que aconteceu no último domingo, no Centro Cívico Antônio Carlos Borges. É que a noite do dia 3-8-14 estava reservada para OSPA, quando Mozart, Beethoven e outros gênios da música, sob a regência de Evandro Matté, foram magistralmente interpretados.
Fazia quatro anos que a OSPA não se apresentava em Santa Rosa. Em 2010, quando pela 4ª e última vez presidi o Musicanto, tive a honra de contratá-la. Foi também um momento sublime, no Parque Municipal de Exposições, quando o seu regente dividiu o palco com ninguém menos que o Luiz Carlos Borges.
É verdade que o palco do CC é acanhado para orquestras numericamente grandes. No concerto último da OSPA, 50 musicistas nele se acotovelaram. Mais figuras, como é a composição completa da orquestra, não caberiam. Por isso, ao menos para amenizar o problema lembro que nos fundos do palco até a divisa com a Rua Santos Dumont, existe um espaço ocioso de 2 metros. Seria o caso de abrir a parede atual, erguendo outra no limite do espaço pertencente ao Município. Outra questão: dia e horário para concertos. Domingo à noite não se encaixa no perfil do público desse espetáculo. Melhor seria 10h, por exemplo, de domingo. Por óbvio, para idosos, a noite não é um bom programa fora do lar. Essa sugestão me foi dada pela professora Flávia Emmel, a quem Santa Rosa muito deve.

                                                    ASSASSINATOS CRESCEM
O número de assassinatos no Estado, no primeiro semestre do ano, na comparação com igual período de 2013, aumentou 22%. Só na Região Metropolitana de Porto Alegre foram 768 homicídios. Nessa conta trágica não estão computados os latrocínios (assaltos seguidos de morte) e outros delitos, e isso que no mês da Copa do Mundo os crimes no Brasil caíram muito.
 Nós nos compadecemos, com razão, com as mortes que se acumulam a cada dia na guerra entre Israel e o Hamas (Palestina). No entanto, não nos impressionamos com as vidas ceifadas mensalmente no RS. O Brasil vive uma permanente guerra civil.
Como referi, durante a Copa os crimes diminuíram. Qual ou quais as razões? É que no período as polícias se mobilizaram e se entrosaram, e o Exército Nacional, tantas vezes desmoralizado, se juntou às seguranças estadual e federal. E as polícias foram para as ruas.

                                                        FARSA EM DOSE DUPLA
A CPI da Petrobras, a exclusiva do Senado, é uma farsa. O seu controle está nas mãos do governo federal. Explico: numa comissão parlamentar de inquérito, os cargos importantes são a presidência e a relatoria. No caso, ambos da base aliada. Logo, é uma CPI chapa branca. Se isso não bastasse, o governo faz valer sua ampla maioria no Senado, ainda que à custa de concessões imorais. Em suma, a CPI do Senado foi criada para não pegar os corruptos.
Pois não é que, dentro dessa farsa, uma segunda farsa foi descoberta! Para que nenhum risco corresse o governo, foi montada uma fraude no Palácio do Governo, consistente em passar aos investigados as perguntas a serem feitas pelos senadores. Já os inquiridos foram treinados para as respostas uniforme, “convincentes”.
Com o esquema, as audiências da CPI não passaram de um teatro. As perguntas que os senadores fizeram à presidente da Petrobras Graça Foster, ao ex-presidente Sérgio Gabrielli e ao ex-diretor Nestor Cerveró foram elaboradas por pessoas do governo e previamente apresentadas aos interessados. Houve, inclusive, um treinamento para que as respostas fossem uniformes.
Enfim, temos farsa em dose dupla. A CPI no Senado, criada para proteger a Dilma, a presidente que, tal qual seu antecessor, quando se trata de corrupção, nada viu, nada sabe.

                                                    O PARECER DO CONSELHO
O Conselho Estadual de Educação está analisando um Parecer, de autoria não sei de quem, cuja finalidade é impedir, proibir, que as direções das escolas punam os alunos que infringirem as regras disciplinares.
Respeito para com os professores, faz muito tempo que alunos perderam. Agora, se a medida, em estudo, for adotada pelo CEED, o aluno transgressor será elevado à condição de Excelência. Quer dizer, a educação de mal a pior.

HUMILHAÇÃO

      A derrota da Seleção de futebol do Brasil para a Seleção da Alemanha era previsível. Para a Seleção da Holanda, também. Mas os escores, que vão muito além do “apagão” apregoado, têm explicação. Com o time brasileiro enganou-se quem quis. Eu, não. A atual safra de boleiros é ruim, embora milionária. Por isso, mesmo com um treinador mais qualificado, pouco mudaria. Mas Luiz Felipe Scolari não pode passar em branco. Lá atrás, quando o imaginávamos atualizado, ainda assim estrategista não era, mas apenas motivador, e motivação tem prazo de validade. Aliás, com seus colegas brasileiros ocorre o mesmo, salvo honrosas exceções.
No vexame do Brasil perante a Alemanha tornaram-se evidentes as carências de atletas e de técnico, somando-se, a Scolari, a soberba. O Felipão, tal qual a maioria dos seus colegas, vai pouco além da tarefa de distribuidor de camisetas entre titulares e reservas. Mas, por medíocre, achou que poderia enfrentar a melhor Seleção da Copa em igualdade de condições. Já a Argentina, reconhecendo a superioridade da Holanda, foi humilde. Jogou com cautela, levando o jogo para a prorrogação e, daí, para os pênaltis.
Encerrada a Copa, é meu sentir: 1) a taça ficou com a melhor Seleção; 2) o Brasil, não fosse o apito amigo e uma pitada de sorte, teria caído na 1º fase.
Por fim, uma palavra sobre o critério da Fifa às classificações e eliminações das oitavas à final. A decisão por pênaltis deveria ser substituída por critério técnico. Três árbitros (desses que, de folga, ficam à disposição da Fifa), ao final da disputa sem vencedor em campo, decidiriam qual teve melhor desempenho. Além de justo, evitaria jogos de defesas contra ataques, premiaria times que jogaram e castigaria aquele que não quiseram jogar.

                                                            HISTÓRIA E BIOGRAFIA
Tanto na história quanto na biografia, as ideologias dos seus autores se refletem nas obras produzidas. Por isso, a melhor receita para se extrair delas fidelidade à verdade ou à ficção e à mentira, é ler autores de diferentes tendências. É que, mesmo figuras alçadas à condição de heróis, às vezes têm o lado vilão ocultado. Mas os mitos assumem as pessoas. Logo, desfazê-los é derrubar deuses. Eu, sem me comprometer com histórias e biografias “consolidadas”, mas, também, sem rejeitá-las, trago à baila duas personalidades fustigados ultimamente:
- Bento Gonçalves, herói Farroupilha (para Tau Golin, Herói Ladrão), para os historiadores Spencer Leitman, Morivalde Calvet Fagundes, Jônata Caratti, avalizados por Juremir (CP), foi escravagista. Ao morrer (1857) era dono de 53 escravos. Cada um equivalia a 320 bois para abate (16.960 reses);  
- Leonel Brizola, herói da Legalidade, tem sua biografia contestado pelo filho JOÃO OTÁVIO, o qual relata a vida familiar e política do pai. Entre outras, diz: o pai era autoritário; em proveito próprio, desviou US$ 1 milhão recebidos de Cuba para financiar a guerrilha; odiava o cunhado Jango, a quem chamava de satã etc. O livro, prestes a ser publicado, mexe na imagem do ex-governador. Ao ler o arquiteto João Otávio, o jornalista Nilson Souza (ZH), referindo-se a Leonel Brizola, a quem se declara admirador (ou ex) confesso, diz: “Que papelão, hein?”     
    
                                                             FUNDO PARTIDÁRIO
Comandar um partido político é, também, um bom negócio. Por isso, o Brasil tem mais de 30. No papel, todos se assemelham. Na prática, nem tanto. A criação em profusão de partidos políticos se dá pela cobiçada verba do Tesouro Nacional que lhes é destinada (Fundo Partidário), cuja partilha se dá conforme o tamanho das bancadas na Câmara Federal. O PT (a maior) até junho/2014 recebeu R$ 25 milhões. O PMDB (2ª maior), R$ 18 milhões. O PSDB (3ª maior), R$ 17 milhões. Só os três já receberam R$ 43 milhões. No 2º semestre, importância igual irrigará os partidos políticos. É muito dinheiro!Conclusão: por via indireta, já vigora o financiamento de campanha com dinheiro público.

                                                            PUNIÇÃO AOS SUJÕES
O projeto dos vereadores Dado Silva (PT) e Sônia Conti (PCdoB) propondo, entre outras, punição pecuniária a quem degrada o meio ambiente, é pedagógico, posto que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Sobre o tema, na mesma direção, já me manifestei. No entanto, só a lei não modificará condutas nocivas. Além de programas educativos, será necessário um quadro permanente de fiscais municipais atuando inclusive em feriados e domingos, em especial nas madrugadas que os antecedem.