quarta-feira, 25 de março de 2015

IMPARCIALIDADE e NEUTRALIDADE

A revista Veja, edição que circulou na véspera do pleito eleitoral recém findo, por conta da matéria que veiculou, referente ao escândalo da Petrobras, comprometendo os senhores Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, causou indignação por parte do ex-presidente, da atual presidente e de seus defensores incondicionais. Dos intensos ataques verbais à revista até a depredação do prédio da editora Abril, foi um passo. A bem da verdade, esses vândalos protegidos pelo manto do anonimato, atentaram, mesmo, contra a democracia. A revolta, porém, é porque a capa a revista estampou as fotografias do Lula e da Dilma, obsequiando-os, ainda, com a manchete “Eles Sabiam de Tudo”. Já, nas páginas internas, veiculou o esquema criminoso contra a Petrobras, extraído da confissão do ex-diretor, Paulo Roberto Costa, e do doleiro que operou a lavagem do dinheiro sujo, Alberto Youssef.

A respeito da principal matéria publicada pela revista, é preciso esclarecer algumas dúvidas, intencionais ou inocentes, sobre os limites éticos dos órgãos de imprensa, os quais, para o exame que me proponho, resumo nas expressões IMPARCIALIDADE e ISENÇÃO. A dúvida existe porque alguns veículos de comunicação assumem posições políticas, especialmente em pleitos eleitorais. Mas, afinal, a imprensa pode tomar partido? Pode assumir candidatura? Respondo: pode e não pode. Para emissoras de rádio e de televisão, as restrições existem. Para jornais e revistas, não. Mas por que a restrição para uns, tida, por muitos, como atentatória à liberdade de imprensa, e não para outros? Por uma razão simples: as emissoras de rádio e TV são concessões públicas. Portanto, só podem funcionar dentro das regras previamente estabelecidas pelo poder concedente. No entanto, as mesmas regras não são impostas aos jornais e às revistas. Estes funcionam mediante mera legalização perante a Junta Comercial.

Todavia, antecipar, como a Veja antecipou, a circulação da revista sem uma explicação plausível, leva-me a acreditar que ela o fez pela sua opção política, revelando, ainda que veladamente, apoio à candidatura Aécio Neves. Mas não só ela. A Carta Capital, de igual sorte, abraçou a candidatura Dilma Rousseff. Mas isso é um direito de ambas as revistas. Portanto, mesmo parecendo contraditório tal comportamento, as duas, por suas opções, não perderam a imparcialidade; perderam, ou nunca tiveram, a neutralidade. Porém, estão dentro dos limites éticos dos serviços que prestam. É que jornais e revistas não têm o dever da neutralidade; têm, sim, o dever da imparcialidade. Correto ou não, esse é o quadro.

Ademais, a revista Veja apenas publicou as confissões do doleiro e do ex-diretor mencionados, no bojo das quais estão denúncias que vinculam o Petrolão a Lula e Dilma, quando Youssef e Costa encaminharam à Justiça acordos de delação premiada. E mais. Como parte do benefício que buscam, firmaram compromisso de devolver parte do lucro que obtiveram nos negócios escusos, em prejuízo da estatal - R$ 125 milhões. Ora, forçoso é concluir que se os dois acusados, não tivessem culpa, não teriam motivo para devolver valor algum, muito menos tal cifra. Por outro lado, se as denúncias contra os dois não se confirmarem, eles não terão direito ao benefício do Instituto, nem à devolução do dinheiro. É que na delação a prova da verossimilhança é do delator. Em suma, se mentira houve, os mentirosos seriam Yussef e Costa, cientes, ainda, dos riscos de suas denúncias não se confirmarem. Logo, é lícito presumir que falaram a verdade. Ademais, que presidentes brasileiros são esses dois últimos que nunca souberam o que se passava ao seu redor? 

Por outro lado, resta claro que o PT faz da sua indignação à Veja expediente para desviar a discussão do escândalo na Petrobras. Crucificando a revista, busca um bode expiatório para os malfeitos do seu governo, aliás, apenas mais um. Mas, diante da evidência dos fatos e da radicalização da discussão, mais racionalidade e menos paixão não fariam mal a ninguém. No meio desse tiroteio, uma pergunta que não quer calar: o que é mais grave, a publicação das confissões feitas em Juízo por Costa e Youssef ou o assalto à Petrobras (R$ 12 bilhões + ou -) por quem tinha o dever de por ela zelar?


Por fim, uma previsão: o Petrolão, se sua apuração não for obstaculizada por forças ocultas, às vezes nem tão ocultas, será maior que o Mensalão.

O DIA SEGUINTE

Parece consenso que, das eleições de 2014, emergiu um novo cenário político nacional, assim resumido: a) o Congresso Nacional, a partir de 2015, será diferente do atual; b) o país está dividido. A reeleição da Dilma foi assegurada pelo Nordeste e Norte, mais uma ou outra exceção. A Região Sul impingiu-lhe fragorosa derrota. A Região Sudeste, a exceção do RJ, também. Essa divisão, se não for contornada, poderá desencadear um processo separatista entre as regiões a favor e contra o modelo político atual. Já no Congresso Nacional, a presidente também não terá as mesmas facilidades que teve no mandato que se finda. No Senado, a oposição será mais combativa. Se é verdade que o governo vai se livrar de Simon (PMDB) e Taques (PDT), não é menos verdade que passará a ter contra si vozes mais contundentes: Lasier (PDT), Serra (PSDB), Jereissatti (PSDB), Caiado (DEM), Romário (PSB), além de outros com mandato em vigor. O mesmo se pode dizer em relação à Câmara dos Deputados. O PT elegeu 18 deputados a menos que em 2010, e o bloco de oposição está maior, e os partidos com representação na Casa passaram de 18 para 28. Em consequência, também no ponto a chefe do Executivo não terá o mesmo submisso Legislativo que tudo aprovou e, de quebra, blindou o governo nas denúncias de corrupção.
Em suma, a presidente, embora reeleita, terá pela frente: a) um país dividido quase ao meio; b) um Legislativo diferente daquele dos últimos 12 anos. Então, terá de remontar sua nova base parlamentar, e isso, inevitavelmente, vai se dar no balcão de negócios. Uma alternativa já testada será criar novos ministérios, ainda que para isso ultrapassem de 40 (redondos, 40, não, para não ser chamado o ministério Ali Babá). A esse passo, caso seja a opção, sugiro a criação do Ministério dos Derrotados. Afinal, não é do feitio do PT abandonar companheiros que, com o resultado das urnas, estarão na rua da amargura. Ah, eu sei, isso significaria mais despesas. Não importa. Nós, contribuintes, pelo quando pagamos e pelos serviços que recebemos, somos masoquistas. Então, um pouco mais de prazer na dor não fará diferença. Ademais, o “toma lá, dá cá”, não é para o bem do povo?
Mesmo com maioria no Congresso, Dilma enfrentará turbulência. Sem contar com a recessão econômica em curso, a matéria da revista Veja (29-10-14), se procedente, poderá desencadear um processo IMPEACHMENT. A presidente dizer que nada sabia sobre a Petrobras, estratégia que beneficiou o Lula no Mensalão, de nada valerá. É verdade que eventual pedido de Impeachment demandaria longo caminho: a) criação de CPI pela Câmara; b) aprovação de relatório em eventual incriminação por 2/3 da Casa; c) remessa do processo ao Senado para processamento. Portanto, ainda que viesse a ser apurada culpa da Dilma, o êxito seria improvável, exceto se surgisse pressão das ruas (reedição dos caras-pintadas). Ressalto, todavia, que não estou prejulgando a presidente. Aliás, nesta semana, ela tomou a atitude que estava devendo: determinou a apuração das denúncias na Petrobras, no que andou bem. Lembro, outrossim, que a matéria da Veja se assenta em depoimento do Yussef. Se mentiu, o doleiro, uma vez checadas as informações, perderá o benefício da delação, haja vista que, neste caso, funciona como inversão do ônus da prova, isto é, se o depoimento não se confirmar, o benefício é negado. Portanto, assim como não dá para condenar a Dilma, o Lula e outros no Petrolão, também não dá para dizer que a revista mentiu.
Por fim, a eleição de governador: embora Tarso seja intelectualmente superior a Sartori, nas urnas o RS derrotou a prepotência e premiou a humildade. O Tarso, por sua pregação, pareceu o inventor da roda. Ora, o Estado há décadas enfrenta séria crise financeira, a qual, neste governo, só se agravou. Mais que isso, um dado que condena o Tarso tal qual condenou o Olívio no caso Ford: o governador, quando ministro, criou a Lei do Piso do Magistério. Com isso, em 2010 se apresentou como o Messias dos professores. Só se esqueceu do dia seguinte. Como governador, não pagou o piso e renegou a lei. Importa concluir que a lei nascida sob sua inspiração fora mero engodo. Logo, entre o Piso do Tarso e a Tumelero do Sartori, o povo separou o estelionato de um (governador) da ironia do outro (governador eleito).


VÍNCULO FAMILIAR

Teve gente que não gostou da matéria sobre o Aécio Neves que publiquei nesta coluna, na semana passada. Isso não me intimida. Ao que apurei, todos que não gostaram do que escrevi são defensores da Lei da Mordaça, travestidos de democratas.Mas também muita gente aplaudiu a hipótese de Santa Rosa vir a ser conectada política e afetivamente com Brasília.De minha parte, nada tenho a retificar. A história se faz com fatos fidedignos. Por outro lado, manifestar apoio a este ou àquele condidato depois das eleições, será tarde e falso. Lembro de um fato ocorrido no tempo das eleições indiretas, anos 70. O Amaral de Souza disputava, internamente, sua indicação ao presidente da República para, uma vez aprovado em Brasília, ser nomeado governador do Rio Grande do Sul. Querendo mostrar força, dirigiu-se aos diretórios municipais do PDS do Estado pedindo apoio à indicação do seu nome. O diretório de Tuparendi, querendo ficar de bem com o Amaral de Souza e também com os outros postulantes ao Palácio Piratini, respondeu que se ele viesse a ser o escolhido poderia contar com o apoio do partido do vizinho município. A resposta virou gozação. Ora, uma vez nomeado governador, Amaral de Souza não mais precisaria do apoio de Tuparendi; o contrário, sim.
                                           REELEIÇÃO
A reeleição para o Poder Executivo é uma experiência, a meu sentir, que não deu certo, em especial pelo desequilíbrio de forças que o sistema estabelece, em desfavor, é claro, de quem não está no poder. O chefe do Executivo, candidato a um novo mandato, não precisa, sequer, se desincompatibilizar para concorrer. Por óbvio, as armas dos concorrentes alheios ao poder são inferiores. Por outro lado, quem exerce um mandato tem o que mostrar, por mais pífia que tenha sido sua administração. A campanha eleitoral que se encerra com a eleição para presidente foi, a meu ver, a mais belicosa de todas. Em grande parte se deve à busca da reeleição pela Dilma, porque, quem está no poder, a ele se apega a ponto de transformar a eleição em questão de vida ou morte. A rigor, esse apego ao poder é uma defesa em causa própria pelo temor de que, passando o bastão para mãos inimigas, os malfeitos venham a ser passados a limpo. A reeleição foi instituída por FHC, em processo até hoje mal explicado. Para Aécio, como seria para Marina, a reeleição estaria com os dias contados. Para Dilma, não. O apelo ao poder está falando mais alto. Pelo menos é o que se extrai do pouco que os candidatos debateram sobre o tema. Acho que o ideal seria mandato de cinco anos, sem reeleição.
                                         DEMONIZAÇÃO
Os petistas, por conta das condenações no Mensalão, que levaram algumas das suas proeminências à cadeia, demonizaram o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo. Eu, no entanto, a respeito, digo que o relator do até aqui maior escândalo da história política brasileira só pode merecer elogios. Trata-se de cidadão que dignificou a cadeira que ocupou no STF. Não fosse ele, o resultado seria a absolvição dos mensaleiros pela clássica ‘insuficiência de prova’, tese sustentada pelos subservientes Tófoli e Lewandoski, felizmente derrotada. Agora, na inatividade, Joaquim Barbosa encaminhou a revalidação da sua Carteira de Advogado, um direito de todos os juízes aposentados. Pois o presidente da OAB/DF, condoído com José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, negou a expedição da Carteira! Que absurdo! Isso tem nome: inversão de valores, isto é, enquanto os larápios do dinheiro público são aplaudidos, o herói da batalha contra eles noSTF é execrado. Não tenho dúvida que, mantido o indeferimento à Carteira pela OAB/DF, Joaquim Barbosa irá buscá-la através de ação judicial. No entanto, causa indignação ver que corruptos, condenados com trânsito em julgado, têm seguidores e defensores, inclusive nos altos escalões do governo.
                                              SUCESSÃO

Se Dilma e Tarso não se reelegerem, respectivamente, presidente e governador, o quadro sucessório municipal local poderá sofrer influência, inclusive mudar o rumo. O Orlando, que desde o dia em que passou a ‘faixa prefeitural’ ao Vicini está em campanha à reeleição perdida, em 2012 fez das três estrelas conduzidas por um cometa, que saía de Santa Rosa, passava por POA e aterrissava em Brasília, a ideia central da sua candidatura. Ocorre que esse corpo do sistema solar com uma estrela cadente, perde força; com duas, sobra-lhe a cauda. 

AÉCIO NEVES, O GENRO DE SANTA ROSA

Fui amigo do MÍLTON WEBER, o NEGO, já de saudosa memória, nascido e criado em Santa Rosa, mais precisamente na esquina da Av. Santa Cruz com a Rua Buriti, local em que funcionava um bar, o famoso por décadas Bar do Weber, hoje Padaria Pão Quente. Nos fundos do prédio, em peça com quarto e banheiro, por alguns anos fui inquilino do seu WALDEMAR WEBER, o patriarca da família Weber. Os contemporâneos do Nego se lembram da figura alegre, afável, mas, particularmente, pela marca indelével que deixou: a gargalhada que costumava dar em meio ao silêncio da exibição de filme no CINE ODEON (Lojas Colombo, hoje), época em que o cinema era programa obrigatório nos domingos à noite.
 O Nego, com vinte e poucos anos de idade, casou com uma moça de Panambi, transferindo-se, definitivamente, para aquela cidade. O casal, ele santarrosense, ela panambiense, teve duas filhas. Faz mais ou menos 8 anos que o Nego perdeu a vida de forma trágica: morreu atropelado por um cavalo disparado, enfurecido, em desabalada correria em meio ao público em um rodeio crioulo onde ele e sua família se encontravam, transformando, o que era um dia de lazer, em dia fatídico para familiares e amigos seus.
 Feita essa breve apresentação, impõe-se esclarecer a razão dela. Respondo: a razão é peculiar, simples, porém, carrega um pouco de história. Ocorre que o Nego é ninguém menos que o pai da LETÍCIA WEBER, esposa do senador AÉCIO NEVES, candidato à presidência da República. Ela se tornou conhecida dos eleitores pelo seu trabalho nas redes sociais na campanha eleitoral do primeiro turno. Há três semanas, Aécio e Letícia batizaram o casal de filhos gêmeos que tiveram em junho deste ano.
 O saudoso Nego, o caçula da família, deixou um irmão, o ARI, mais conhecido por WEBÃO, além de duas irmãs. O Webão, tio da Letícia e, pelos laços afins decorrentes desse casamento, de Aécio também, continua residindo em Santa Rosa, no Bairro Central. Importa dizer que esta Região nunca teve laços afetivos tão estreitos com alguém do poder Central, hoje Senador da República, amanhã, quiçá, presidente do Brasil.
 Se Aécio Neves ascender à presidência da República, e essa possibilidade é real, a partir de 2015 a primeira-dama do Brasil será uma quase santarrosense, ou seja, uma filha de um filho de Santa Rosa, o que, para a Região que vive uma quase orfandade política, não seria pouco. Por isso, o futuro presidente – com o perdão dos linguísticos pelo neologismo – ostentaria o título de Genro de Santa Rosa ou, dependendo da preferência, Santa Rosa passaria a ser a Terra do Sogro do Aécio. Seria o 4º título. Até aqui, são três: 1ª) Berço Nacional da Soja; 2ª) Terra da Xuxa; 3ª) Terra do Musicanto. Ampliar para quatro títulos seria uma boa, tendo por foco, no caso, a ideia de que conviver é um ato político. Logo, em assim sendo, o convívio com alguém com raízes ainda em nosso solo, mais próximo, e por consequência, mais eficaz ainda poderá vir a ser o convívio político.
 Quando se pensa em representação política, pensa-se no detentor de cargo político e se ignora a companheira do político. No máximo se diz tratar-se da esposa do fulano de tal, o que é um desrespeito para quem anonimamente dá suporte ao político bem sucedido e tem luz própria. Para tornar menos árida a conversa, vamos a exemplos: EVITA PERÓN, esposa de presidente JUAN DOMINGO PERÓN, da Argentina, perpetuou o peronismo no país sem nunca concorrer a cargo algum. Por certo que uma reivindicação a ela, e por ela aceita, tinha peso de presidente. O mesmo diga-se em relação a MICHELE OBAMA, a primeira-dama dos EUA, que, sem ser política, tem índice de aprovação maior que o maridoBARACK OBAMA, presidente, quer por suas obras sociais, quer por sua elegância. A propósito, no quesito elegância, Letícia não fica para traz: é modelo e revela bom gosto, inclusive, segundo mulheres que já ouvi, na escolha da sua cara-metade.

 Lembremo-nos que, por essa ligação familiar, se eleito presidente, Aécio estará a um passo de ser aliado da Região na solução de problemas históricos (ponte internacional, por exemplo), haja vista que, embaixo do mesmo lençol, a dois, importantes decisões são tomadas. Lembremo-nos que o último presidente a visitar Santa Rosa foi João Figueiredo, em FENASOJA.

DELAÇÃO PREMIADA

   Delação premiada, expressão até bem pouco desconhecida, passou a fazer parte da agenda da Justiça. Confesso que, quando o favor legal começou a ganhar manchetes, senti repugnância. Quando alguém manifestava interesse em valer-se do benefício, vinha-me à mente a transmutação do fundamento ético pela imoral premiação do traidor. Tinha a sensação de ver a imagem repugnante do dedo-duro. Era a reação ao ver se transformar em pó para, em seguida, o vento dissipar tudo quanto aprendi com meus pais e mestres e nos embates da vida. Enfim, muitas coisas alicerçadas na ordem jurídica em marcha acelerada a me causar desconforto. Mas como em tudo, esse impacto inicial foi dando lugar a reflexões sobre novas concepções diante da realidade concreta. Por exemplo, faz pouco, o Mensalão do PT, agora, o Mensalão da Petrobras. Percebi, também, embora sem metodologia científica, que existem dois tipos de delatores. No primeiro grupo estão aqueles que delatam os companheiros dos malfeitos, para os quais juraram fidelidade até a morte. São aqueles que vão além da verdade infracional em troca de benefício pessoal. Em suma, entregam o “serviço” e, sem escrúpulo, vingam-se daqueles que não gostam. São os pusilânimes. Já no segundo grupo estão aqueles que ainda conservam, à falta de melhor conceituação, um pouco de pudor. São, pois, os delatores fidedignos das malfeitorias, porém, sem envolver nomes de terceiros e sem fazer do instituto um instrumento de vingança. Tudo fica limitado ao favorecimento pessoal diante do temor da ação penal. Poderia trazer à baila nomes que identificam os dois tipos. Limito-me, porém, a citar exemplos, um na esfera estadual (Detran), outro nacional (Mensalão), facilmente identificáveis. No caso ocorrido no RS, o exemplo é o de um conhecido lobista, identificado como empresário, que fez da delação premiada instrumento de vingança contra aqueles que, quando a casa caiu, o teriam abandonado. Já no caso de Brasília, o delator, sem se beneficiar do instituto, prestou um serviço à Nação. Aliás, sem sua “entrega” jamais teria sido desvendado o maior escândalo político até hoje, e corruptos de colarinho branco não teriam formado uma nova bancada, a bancada da Papuda.
   A bem da verdade, o instituto da delação premiada não é novo. Surgiu nas Ordenações Filipinas (Código compilado por Felipe II, da Espanha; Felipe I, de Portugal; adotado por D. João IV), através do qual o agente que confessasse a inconfidência ou que a qualquer momento a revelasse, era perdoado. Na época, os crimes eram outros: ampliação territorial, implantação de colônias, ocupação de terras etc. No Brasil, o embrião do instituto começou ainda no Império. Mas o grande impulso, que levou a reboque Legislativo e Executivo, foi dado pela jurisprudência. Em apertada síntese, são os seguintes os Diplomas a respeito: 1) Lei dos Crimes Hediondos (nº 8.072/90); 2) Lei dos Crimes Organizados (nº 9.034/95); 3) Lei dos Crimes Tributários (nº 8.137/90); 4) Lei dos Crimes do Sistema Financeiro (nº 7.497/86); 5) Lei de Lavagem de Capitais (nº 9.613/98); 6) Lei de Proteção das Vítimas e Testemunhas ( nº 9.807/99; 7) Lei de Tóxicos (nº 10.409/02, já revogada); 8) Lei de Drogas (nº 11.343/06). É possível que, no cipoal de leis, alguma tenha ficado de fora.
   A tendência é a consolidação da delação premiada. Ocorre, no entanto, que eu – friso - me encontro umbilicalmente preso a valores éticos. Mas, afinal, o que é ética? Para Mário Sérgio Cortella “é o conjunto de valores e princípios que você e eu utilizamos em nossa conduta”. Salvo melhor juízo, o filósofo/professor da USP está a rejeitar a ética individual em obediência à ética coletiva. No entanto, a conduta coletiva também pode mudar, e com frequência muda. Por exemplo: até bem pouco, fumar em lugar público era um direito do indivíduo. Hoje, fumar no mesmo local é proibido. É o novo comportamento individual submetido a uma conduta coletiva.


   A delação premiada passou a pautar a agenda da Justiça dada evolução do crime organizado, o qual, sem limites às vítimas, evoluiu acima da evolução dos órgãos oficiais. E nessa correlação de forças, o Estado perdeu a batalha. Daí a delação. E mais. Os próximos passos serão prisão perpétua e pena de morte. Opa!  É isso mesmo. Quem viver, verá.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

DESTAQUE 2014

                                                                                   DESTAQUE 2014
Falar sobre pessoa da família gera um certo desconforto. Falar sobre as qualidades de familiar, então, pode soar exibicionismo. Mesmo correndo o risco de ser mal interpretado, resolvi falar sobre um dos homenageados na última EXPOINTER, em Esteio, o ANACLETO L. GIOVELLI. Ele recebeu o prêmioDESTAQUE BADESUL/EXP0INTER 2014”. Na placa comemorativa que lhe foi entregue, está consignado “GESTÃO, EMPREENDEDORISMO, OUSADIA E COMPROMETIMENTO, ELEMENTOS INDISPENSÁVEIS PARA O SUCESSO”.
A distinção em comento se deveu à excelência do projeto de irrigação agrícola que o Anacleto implantou em sua propriedade, no município de Santo Ângelo, a começar pela formação da barragem de captação com o aproveitado de água, exclusiva, de uma fonte que nasce em meio uma mata que preserva, mesmo que sua terra, em uma das divisas, margeie o Rio Comandaí em mais de 3 quilômetros de extensão.
Embora tenha ao longo da vida desempenhado diversas funções (professor, orientador educacional, delegado de educação, prefeito etc), o Anacleto sempre se manteve fiel à sua origem rural. Por isso, tudo quanto amealhou nas atividades desempenhadas empregou na agricultura, ora ampliando a propriedade, ora investindo em melhorias como correção de solo, adoção do plantio direto e, agora, na irrigação.
Sobre a implantação do projeto de irrigação, que lhe rendeu a comenda, Anacleto se declara entusiasta. Dinheiro para financiar projetos existe, com juros e prazos compatíveis. No entanto, segundo ele, um dos grandes entraves é a energia elétrica, ou porque não existe ou porque é monofásica ou bifásica. O outro obstáculo está a burocracia: são muitos os órgãos públicos tratando do assunto, e o pior, a maioria sem conhecimento suficiente para fazer a proposta avançar.
O conhecimento que adquiriu na área, e que lhe rendeu o título “Destaque Badesul/Expointer”, o Anacleto ofereceu, gratuitamente, à Região. Ninguém se interessou, exceto a Prefeitura de Ten. Portela. Confirma-se: “Santo de Casa não faz milagre”.
Enfim, o prêmio faz justiça a quem, quer na profissão, quer no voluntariado, tudo quanto faz é com paixão.
                
                                                       CASAMENTO GAY
O CTG Sentinelas do Planalto, de Livramento, foi incendiado. O motivo salta à calva: impedir que no local a Juíza Carine Labre realizasse casamentos mulher com mulher, homem com homem. A propósito, não tenho nada contra essas uniões. A vida íntima de cada um é a vida de cada um. No entanto, por que tanta exposição tratando-se de evento íntimo? Por que os gays de Livramento deveriam se casar em uma sociedade privada, conservadora?
Sou do tempo em que homem casava com mulher e vice-versa. É da nossa cultura a união entre pessoas de sexo diferente. Eu não tenho preconceito contra os gays, até porque, estou convencido, eles não o são por opção. Homossexual nasce assim. Clodovil dizia que quando morresse teria uma conversa com Deus para saber por que o Criador o fizera homossexual. Mas que é estranho aos nossos costumes a união de pessoas do mesmo sexo, é. E sendo celebrada em um CTG, mais ainda.
No caso, a Juíza quis: 1º, aparecer; 2º, provocar a ira das pessoas que têm, no seu CTG, um porto seguro na tradição familiar. Ora, realizar uma cerimônia que quebra um paradigma familiar não é semear harmonia; é semear discórdia.
Os CTGs nasceram para cultuar tradições. São sociedades com regras rígidas, mas dentro da lei. Logo, casamento de pessoas do mesmo sexo não faz parte da tradição gaudéria. Portanto, não tinha a Juíza o direito de determinar que, em um local não público, fosse realizada a badalada cerimônia.
A função de um Juiz é dirimir conflitos. Lá, ao contrário, ela gerou conflito. Se Sua Excelência tivesse promovido a cerimônia em sua casa, por exemplo, ninguém teria se incomodado. Fica, pois, a sugestão para o futuro.
 Deplorável, ainda, os custos do evento aos Erários estadual e federal. Para a cerimônia, estiveram em Livramento uma ministra da Dilma e uma secretária do Tarso, com seus respectivos assessores. Deve ser porque os cofres públicos estão abarrotados de dinheiro.

ABUTRES E CALOTEIROS

                                                               ABUTRES E CALOTEIROS
É por demais conhecida a soberba argentina. Ainda na última Copa do Mundo, nos jogos da sua seleção, os brasileiros provocavam os torcedores do Messi, Di Maria e Cia. dizendo que eles não se davam por satisfeitos comprando um ingresso por pessoa. Cada argentino comprava dois ingressos, um para si e outro para o ego que cada um deles carrega.
Sobre a dívida da Argentina para com investidores dos EUA, a expressão mais empregada é: eles são abutres. Já os credores devolvem as provações dizendo que os argentinos são caloteiros. É claro que ferir seu orgulho, é demais para a soberba dos hermanos. Aliás, soberba que é antiga, fortemente estimulada no governo Carlos Menem (1991 e seguintes), quando o seu ministro da Economia, Domingo Cavallo, que melhor pronúncia seria se o seu sobrenome tivesse um “l” só, deu ao peso equivalência de dólar: um peso valia um dólar. É claro que foi uma medida artificial. Mas a mágica cria situações que a vida real às vezes demora a desmistificar.
Hoje, o abacaxi está nas mãos da presidente Cristina, como, até bem pouco, esteve com Néstor. É do casal presidente - ele morto, ela reinando - a expressão abutres, como forma de humilhar aqueles que apenas querem receber o dinheiro que emprestaram aos caloteiros argentinos. Até aqui, tudo bem. Cada um usa a arma que tem. Aliás, em briga de bugios, a arma dos primatas é ... é isso mesmo. Faz mais estrago pelo mau odor que exala do que pelo impacto contra o alvo.
Independente de se saber se a culpa é de abutres ou de caloteiros ou de ambos, li uma matéria interessante sobre o patrimônio constituído pelo casal Kirschner quando Néstor, em Rio Gallegos, era advogado da Finsud, uma financeira que operava com cobranças. Quando o falecido presidente, como advogado, sabia que um proprietário deixava de pagar a parcela mensal do crédito, ele ia até a casa do devedor e explicava suas opções: a) ter a casa leiloada e ficar sem nada; a) vender a casa ao próprio advogado. Em apenas cinco anos, o casal “comprou” 22 propriedades, de pessoas que não podiam pagar - a preço de galinha morta.
Bem se vê que o conceito de abutre muda de devedor para devedor, de credor para credor.

                                                      NEGÓCIO DA CHINA OU DE CUBA
O Mais Médico é um fabuloso negócio que se divide em dois tentáculos: a) um para o lado econômico, em benefício da “democracia” de Cuba; outro para o lado eleitoral, em favor da reeleição da Dilma.
Só para relembrar, em agosto de 2013, chegaram ao Brasil os primeiros médicos cubanos com a finalidade de aumentar o número de consultas em regiões carentes. Um programa bom para os dois países: para Cuba, que passou a faturar financeiramente muito; para o governo do Brasil, que passou a faturar politicamente.
O balanço desse ano de funcionamento, com 11.400 médicos cubanos, apresenta o seguinte resultado: os cofres do ditador Raul Castro receberam, só do Brasil, R$ 1.160.000.000,00, e a Organização Pan-Americana de Saúde R$ 260.000.000,00. Para cada médico, o governo brasileiro paga R$ 10.400,00, só que, desse valor, 70% é confiscado pela ditadura de Cuba. Portanto, sobra para cada profissional apenas R$ 3.120,00. Ora, se isso não é trabalho escravo, é o conceito de trabalho escravo deve mudar.  

                                                                   HIPOCRISIA
No funeral de Eduardo Campos (PSB), vi políticos lamentando, outros chorando (lágrimas de crocodilo) a morte do candidato a presidente. Alguns são os mesmos que, não fosse a tragédia, logo adiante estariam achando defeitos e crucificando o ex-governador de Pernambuco. Mas na hora da dor, os oportunistas de plantão se apresentam. Alguns estavam inconsoláveis. É, morreu, vira santo. Ouvi, por exemplo: “Ah, quanta falta fará!” “Ele foi um exemplo de homem público.” “O Brasil está de luto e nós, brasileiros, órfãos.”
Ao Lula e a tantos outros menos votados que procuraram faturar com a desgraça da família Campos, cabe a frase do grande Machado de Assis no conto O Empréstimo: Está morto. Podemos elogiá-lo à vontade.”