Pela causa, todo o sacrifício é válido, inclusive o da vida. Isso é da cartilha dos fanáticos. É como agem os extremistas que são encontrados, basicamente, nos substratos sociais ideológico e religioso. São inconsequentes; suicidas, se a causa exigir. Por isso, todos quantos levam suas bandeiras a pontos extremos, devem ser repudiados. O ser fanático não se guia pela razão, mas pela causa. Para ele, sempre edificante.
Essa introdução me leva ao Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Embora preso na operação Lava-Jato, ao contrário de outros seus comparsas, continua calado. Delação premiada, nem falar. Até quando, só aqueles que conhecem seu grau de comprometimento com a causa petista poderão responder. Pelo temor dos seus parceiros, deveria ser silêncio sepulcral. Assim, o Brasil talvez nunca venha a conhecer o tamanho da roubalheira da Petrobras e seus beneficiários. Mas se quebrar o silêncio, não tenho dúvida: não sobrará “pedra sobre pedra”, até porque o castelo construído nesses 12 anos de governo é de areia, erguido sem fundações sobre um lamaçal movediço.
Torço para que o Vaccari, num lampejo patriótico, abandone a causa petista em favor da Pátria. É pouco provável que o faça, mas há um precedente que poderá demovê-lo de sua fixação: Marcos Valério. Pela causa, o operador do Mensalão do PT se calou. Calado, levou a maior condenação de todos. Enfim, se ferrou e prestou um desserviço à Nação.
COALIZÃO FINANCEIRA
O governo Dilma é uma ilha cercada por crises política, econômica, ética e de confiança. Entre as duas últimas, é difícil saber qual a maior. Por isso, como vai terminar seu governo, ninguém sabe. Ademais, Dilma tem muito de militância política e nada de estadista. Por outro lado, para agravar esse quadro, o Brasil vive, e isso não é responsabilidade do governo atual, um regime que não é presidencialista nem parlamentarista. Oficialmente, é presidencialista, só que, pelo presidencialismo de coalizão financeira que Lula inaugurou, Dilma - e assim será com quem a suceder se não romper essa amarra – está sob parlamentarismo disfarçado.
FINANCIAMENTO PÚBLICO
Mediante subterfúgio, o financiamento público de campanha eleitoral se consolida. Nesse momento, através do Fundo Partidário que cada partido, proporcionalmente ao seu tamanho, recebe do Tesouro. Em 2014 foram R$ 289,5 milhões. Em 2015 serão R$ 867,5 milhões. Para o PT, R$ 117 milhões; para o PSDB, R$ 96 milhões; para o PMDB, R$ 94 milhões. O que mais impressiona é a presidente Dilma acatar a elevação do Fundo (3 x +).
O aumento do espúrio Fundo segue a lógica do PT: nada mais de financiamento privado a campanhas eleitorais. Só que, após o Petrolão, é: a) tranca de ferro em porta arrombada; b) confissão de culpa no escândalo; c) rejeição a alimentos após o estômago cheio.
NOVO MINISTRO DO STF
Luiz E. Fachin foi indicado por Dilma para a vaga de J. Barbosa. Para ser nomeado ministro do STF, falta a aprovação pelo Senado. Mas lá, até o Tofoli passou. Hoje, o quesito constitucional notório saber jurídico, deixou de ser prioridade. Como já me manifestei, é inaceitável o critério de nomeação para os tribunais. A EC Lasier Martins deve ser acolhida, antes que ocorra o “aparelhamento político” também da Corte Suprema.
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
OPERAÇÃO JALECO BRANCO
Mesmo sob os protestos dos médicos brasileiros, o programa Mais Médicos já despejou quase 12.000 médicos cubanos no Brasil. Os médicos estrangeiros estão espalhados pelo país, atuando, muitos deles (essa era a justificativa), nos confins do Brasil onde nunca antes suas populações tinham visto um jaleco branco, sequer, muito menos um profissional da saúde. Importa dizer que, para esses seres humanos desde sempre esquecidos, o pouco é tudo. Assim, o que menos importa para essas pessoas desassistidas é a qualificação dos profissionais alienígenas, também objeto de questionamento dos seus colegas daqui.
Outro motivo de indignação dos médicos brasileiros às importações, é porque seus colegas estrangeiros foram admitidos a trabalhar no país sem avaliação (revalida) perante o Conselho de Medicina, exigência sine qua non para os nativos. Já o governo federal nega privilégio e irregularidade nas contratações. No entanto, tal negativa deve ser recebida com reserva pela falta de credibilidade do governo federal.
Mas, apesar de sobradas razões para não confiar no atual governo central, quer por suas ações populistas e ideológicas, quer pela corrupção em que está mergulhado, acho, no mínimo, razoável, a política de importação de médicos. É que, para os carentes de tudo, um ombro amigo é muito mais do que um requintado consultório e/ou um médico PhD inacessíveis. Como me disse um médico, certa vez: “Com atenção e um chazinho, metade das doenças é curada.”
Não é primeira vez que trato desse assunto. Também não pretendia a ele voltar. No entanto, agora há um fato novo: a divulgação, pela TV Band, de um áudio de 50 minutos de reunião realizada dia 13-07-13, no Ministério da Saúde, presentes Maria Alice Barbosa Fortunato, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e Jean Keiji Uema, Consultor Jurídico do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, Assessor para Assuntos Internacionais, pelo governo federal, quando ficou claro o objetivo da importação: mandar dinheiro para a “democracia” castrista.
O áudio registra diálogo comprometedor. Maria Alice, preocupada com o possível vazamento de cláusulas do contrato, diz: “Se a gente coloca ‘governo cubano’, se nosso documento é público, qualquer pessoa vai entender que a gente está driblando a coisa de fazer acordo bilateral e pode dar uma detonada.” Depois, ante a imposição de Cuba em incluir um coordenador para cada 300 médicos, Maria Alice ensina como enganar: “Um médico deles vai fazer a supervisão ... Eu não vou colocar ‘médico coordenador de brigada cubana’. Se são 9.000 médicos e 50 assessores, eu vou colocar 9.050 médicos bolsistas.” Por fim, o assessor Kleiman informa a distribuição dos valores pagos pelo Brasil: “O Marco Aurélio voltou hoje de uma reunião (em Cuba): 60% para Cuba e 40% para o médico.”
Ora, tratando-se de contrato público, a transparência se impõe. Logo, por que de cláusula de confidencialidade? Para encobrir maracutaia. Logo, o Mais Médicos poderá dar mais “Pano Prá Manga”. Basta que a PF e o MPF entrem no caso como entraram no Mensalão e no Petrolão. Até sugiro o nome, já que a polícia, pela quantidade de escândalos que apura, poderá estar com o repertório esgotado: Operação Jaleco Branco. Mais Médicos, mais um programa do governo contaminado por interesses escusos.
Outro motivo de indignação dos médicos brasileiros às importações, é porque seus colegas estrangeiros foram admitidos a trabalhar no país sem avaliação (revalida) perante o Conselho de Medicina, exigência sine qua non para os nativos. Já o governo federal nega privilégio e irregularidade nas contratações. No entanto, tal negativa deve ser recebida com reserva pela falta de credibilidade do governo federal.
Mas, apesar de sobradas razões para não confiar no atual governo central, quer por suas ações populistas e ideológicas, quer pela corrupção em que está mergulhado, acho, no mínimo, razoável, a política de importação de médicos. É que, para os carentes de tudo, um ombro amigo é muito mais do que um requintado consultório e/ou um médico PhD inacessíveis. Como me disse um médico, certa vez: “Com atenção e um chazinho, metade das doenças é curada.”
Não é primeira vez que trato desse assunto. Também não pretendia a ele voltar. No entanto, agora há um fato novo: a divulgação, pela TV Band, de um áudio de 50 minutos de reunião realizada dia 13-07-13, no Ministério da Saúde, presentes Maria Alice Barbosa Fortunato, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e Jean Keiji Uema, Consultor Jurídico do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, Assessor para Assuntos Internacionais, pelo governo federal, quando ficou claro o objetivo da importação: mandar dinheiro para a “democracia” castrista.
O áudio registra diálogo comprometedor. Maria Alice, preocupada com o possível vazamento de cláusulas do contrato, diz: “Se a gente coloca ‘governo cubano’, se nosso documento é público, qualquer pessoa vai entender que a gente está driblando a coisa de fazer acordo bilateral e pode dar uma detonada.” Depois, ante a imposição de Cuba em incluir um coordenador para cada 300 médicos, Maria Alice ensina como enganar: “Um médico deles vai fazer a supervisão ... Eu não vou colocar ‘médico coordenador de brigada cubana’. Se são 9.000 médicos e 50 assessores, eu vou colocar 9.050 médicos bolsistas.” Por fim, o assessor Kleiman informa a distribuição dos valores pagos pelo Brasil: “O Marco Aurélio voltou hoje de uma reunião (em Cuba): 60% para Cuba e 40% para o médico.”
Ora, tratando-se de contrato público, a transparência se impõe. Logo, por que de cláusula de confidencialidade? Para encobrir maracutaia. Logo, o Mais Médicos poderá dar mais “Pano Prá Manga”. Basta que a PF e o MPF entrem no caso como entraram no Mensalão e no Petrolão. Até sugiro o nome, já que a polícia, pela quantidade de escândalos que apura, poderá estar com o repertório esgotado: Operação Jaleco Branco. Mais Médicos, mais um programa do governo contaminado por interesses escusos.
quarta-feira, 25 de março de 2015
A “BATATA ESTÁ ASSANDO”
A “batata está assando” é um ditado antigo. Tem a ver com o
risco. É o quadro vivido atualmente por Dilma Rousseff. Os brasileiros, exceto ínfimo
percentual, mais do que desaprovam, condenam a administração central. Não sem
razão. Colhe o que plantou. Só para ilustrar, no 1º mês do seu 2º mandato, a
presidente jogou no lixo promessas eleitorais, quando, também, se desnudou o
maior escândalo da história brasileira: o Petrolão. Por esses e outros
indicadores, a paciência se esgotou. Mas, é claro, ainda há quem acredite no
governo. Alguns, inclusive, acham que é armação contra o PT. Daí os protestos
recentes, um a favor, outro contra o governo: o 1º (sexta-feira,13), promovido
pela CUT, MST e UNE; o 2º (domingo,15), pelas redes sociais. O 1º foi pífio; o
2ª foi retumbante, mesmo sem passagens e sanduíche.
O protesto chapa branca (o 1º) fracassou. Isso mostra que os
dias de glória de MST, CUT e UNE se exauriram. É que os dois primeiros
tornaram-se longa manus do PT; o terceiro, do PCdoB. A verdade é uma só: os
três estão domesticados pelo governo. Só a ONG Agência de Desenvolvimento
Social, ligada à CUT, nos primeiros cinco anos do Lula, recebeu do Tesouro
Nacional (dinheiro nosso, portanto) R$ 12.600.000.000,00. Já o MST, também
grato às “bondades” dos governos Lula/Dilma, faz de conta que contesta a
lentidão dos assentamentos e que condena a corrupção. Faço, porém, uma
ressalva: endosso o combate do MST - bandeira secundária - aos agrotóxicos.
Hoje, com a cumplicidade do governo, ingerimos veneno como nunca antes.
Algumas bandeiras dos dois protestos são convergentes: contra
a corrupção e a defesa da Petrobras. No entanto, são convergências enganosas,
limitadas às aparências. Ora, CUT, MST e UNE combatem a corrupção mas apoiam um
governo comprovadamente corrupto; defendem a Petrobras como se o inimigo da
estatal estivesse na oposição. Isso é incoerência. No fundo, o 1º protesto foi
em favor da Dilma. O 2º, contra. Logo, não há semelhanças.
Por outro lado, foram desastrosas as entrevistas de José
Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto, após o protesto. Sem humildade e fora de
tom. Quem, por alguma razão, não os conhecia, deve ter imaginado que eram ministros
da Suíça ou do Canadá, não do Brasil. Em apertada síntese, para eles
protestaram domingo aqueles que não votaram na Dilma no ano passado. Importa,
pois, dizer que o governo não ouviu a voz das ruas.
Na segunda-feira a presidente assumiu a própria defesa.
Enalteceu os protestos como fruto da democracia que ela teria ajudado a
construir. A presidente, outra vez, faltou com a verdade. Dilma nunca lutou
pela democracia. Lutou pela derrubada da ditadura militar para, em seu lugar,
implantar a ditadura comunista sintonizada com Cuba etc. Depois disse que a
corrupção é uma “senhora idosa”. Quanto à idade, sim. Quanto às práticas, não.
Faltou dizer que sempre existiu, porém, que foi institucionalizada a partir do
governo Lula. Essa é a abissal diferença entre antes e depois do PT no poder.
Acuada,
Dilma preparou um pacote anticorrupção. Não vai resolver. Sua única saída está
em fazer a mea-culpa. Mas, para tanto, não poderá dizer que não sabia dos
escândalos. Mea-culpa é grandeza. Grandeza é reconhecer o erro sem transferi-lo
ou justificá-lo com os erros dos outros. Grandeza sem gesto concreto é falácia.
A propósito, Voltaire, filósofo francês, sentenciou: “Os homens erram, os
grandes homens confessam que erram.”
FESTIVAL DE GIRUÁ
No final da última semana, no Parque de Eventos Olmiro Calai,
em Giruá, realizou-se o 1º Canto de Amor a Giruá, inserido na programação da 9ª
Festa do Butiá.
A Festa do Butiá é uma promoção do vizinho município, que tem
a comandá-lo, em seu 2º mandato consecutivo, o dinâmico e bem articulado
prefeito Ângelo Fabian Thomas. Aliás, como a fruta não cai longe do pé, lembra
seu saudoso pai, Lauri Thomas, também prefeito do município faz alguns anos. Já
o festival, coordenado pela secretária municipal de educação, Fátima Rodrigues
Ehlert, constituiu-se em exemplo de organização.
Concorreram 18 canções, a maioria digna de um já consagrado
evento do gênero. Nessa 1ª edição, sagrou-se vencedora a composição Crioulo da
Cepa, de Erlon Péricles, o músico mais saliente dos festivais do Estado nas
décadas passada e atual, interpretada pelo também consagrado Jorge Freitas, de
Cruz Alta.
Inspiradas no tema “Giruá”, as canções que desfilaram pelo
palco do evento exaltam a saga dos desbravadores da terra dos butiazeiros e o
progresso do município. A respeito, com inclinado respeito aos letristas das
outras 17 composições, destaco Pelas Ruas de Giruá, da poetisa Cecília Maicá
com melodia do compositor Marcos Alves, de Santa Rosa, eleita a melhor letra
entre as 18 concorrentes.
Antes, porém, de tecer considerações sobre essa melhor letra,
dada a minha condição de jurado do 1º Canto de Amor a Giruá, declaro que, no
desempenho do encargo que me foi confiado, não tinha a obrigação de ser isento,
e não fui; mas tinha o dever de ser imparcial, e fui. Com isso, de forma
responsável, não me nego em emitir opinião sobre as composições que analisei.
Assim, com as vênias dos que divergirem, tenho que a Comissão Julgadora foi
feliz ao premiar Pelas Ruas da Cidade como a melhor letra e, também, melhor
arranjo.
Marina, personagem do poema de Cecília Maicá em Pelas Ruas da
Cidade, é um oportuno resgate da história local. Marinas e Marinos estão na
terra dos butiás e em todas as cidades. São seres humanos sem ambição. Sem
malícia, em geral são respeitados, embora, às vezes, preconceituosamente
rejeitados por conta das vestes desalinhadas que usam.
“Marina não usa batom, Marina não tem vaidade, Carrega sua
inocência, Pelas ruas da cidade // Marina aos 70 anos, Na alma não tem vaidade,
No coração ela sente, Sem saber, Felicidade.” Marina não sabe o que é
felicidade, instiga o poema, para, em seguida, dizer que ela sabe. Só não sabe
conceituá-la. Nem precisa. Isso é tarefa para os filólogos. Porém, mesmo sem
saber, sabe que, para se feliz, basta estar em paz consigo mesma, porque, como
realça o verso, Marina sente a felicidade. Ora, para quem tem sensibilidade,
sentir é saber.
Marina não sabe definir felicidade, nem seu significado
oposto. Mas sabe, por sentir, que a felicidade não está nas práticas
prejudiciais a outrem. Nas ruas de Giruá, que ela conhece como a palma da
própria mão - pedindo “pila para o pão, pila para o leite // Na Páscoa, o coelhinho;
no Natal, o papai Noel” – está o mundo de Marina.
Marina não é
Robin Hood nem esse Príncipe dos Ladrões às avessas. É, faz décadas, uma figura
folclórica que tem como projeto diário encontrar mãos estendidas. Como tal, é
parte da história viva da cidade de Giruá. Portanto, não abandone sua
peregrinação diária, Marina!
NUVENS NEGRAS
O Brasil tem terras férteis
abundantes, a maior reserva de água doce do mundo, luminosidade, clima propício
e povo trabalhador. Quer dizer, tem tudo para ser uma potência. Só que os
governos desprezam nossas dádivas. No começo deste milênio, o País experimentou
razoável desenvolvimento, mas o presidente Lula, ao invés de investir em
setores vitais, jogou dinheiro público no ralo, inchou o Estado, perdoou
dívidas de países governados por seus
semelhantes ideológicos. Fugaz, o ciclo de ouro cedeu lugar ao deficit público,
a aumentos generalizados, a incertezas e à volta da inflação.
No plano ético, pior ainda. No
horizonte só se vê nuvens negras. Terminou o Mensalão, começou o Petrolão.
Depois do Petrolão surgirá outro ... O governo central, em 2014, gastou R$ 20,5
bilhões a mais do que arrecadou. É que gastanças, mesmo irresponsáveis, dão
votos. Empreiteiras de obras públicas, também. Mas as eleições passaram e a
bomba ficou no colo de quem acendeu seu estopim. Então, para não incorrer em
crime, a presidente Dilma mudou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Quer dizer,
voltou a andar para traz.
No RS, os destaques são: 1) a
oceânica dívida pública, deixada pelo Tarso, e a crise do leite, obra de
pessoas inescrupulosas que desprezam a saúde alheia em nome do lucro fácil.
Alguns desses criminosos estão presos, só que o leite gaúcho, dada a péssima
imagem que a falcatrua deixou, está sobrando, para desespero da cadeia
produtiva.
O futuro do Brasil é nebuloso. Agora,
chegou a vez da água e, da sua escassez, o comprometimento da geração de
energia, já que a matriz é hídrica, e a produção de alimentos. Por ironia,
estamos ameaçados de morrer de sede, não por culpa de S. Pedro.
O Brasil tem 12% da água superficial
do Planeta, 80% na Amazônia. Mas a destruição do pulmão verde do Continente
conduz à desertificação. Urge que o governo deixe de contemplar a tragédia
anunciada. Fiscalize. Traga para a sua trincheira os demais países que a
compõem: Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana
Francesa, bem como os beneficiários, ainda que indiretos, do ecossistema.
A natureza é sábia, mas não é
infinita; os seus recursos naturais dependem uns dos outros. Os rios precisam
de mata ciliar; as nascentes, de vegetação. Ora, as águas estão poluídas; os
alimentos, envenenados. O efeito estufa é uma realidade. Não sou contra o
agronegócio, até porque ele foi a ‘salvação da lavoura’ nos últimos anos. É a
nossa galinha dos ovos de ouro. No entanto, não se pode produzir a qualquer
preço. Para o setor, duas coisas, apenas, em sentidos opostos, se sobressaíram
nos últimos anos: de um lado, o plantio direto, que melhora a terra e evita a
erosão e o assoreamento dos rios, e o incentivo, mesmo tímido, à irrigação -
para o bem do meio ambiente; de outro, o Roundup, nocivo à saúde, e os
transgênicos, de efeitos duvidosos - para o bem da Monsanto.
A escassez
de água no Sudeste põe em alerta o País, porquanto está comprovado que a falta
de chuva em SP tem a ver com o desmatamento da Amazônia. É que o corte das
árvores da floresta significa o corte invisível dos “rios voadores”. E sem
essas correntes que carregam umidade, nuvens de chuva cedem lugar a nuvens
negras, letais.
CORRUPÇÃO E LIBERDADE
Depois do Mensalão, o Petrolão.
Depois do Petrolão, não sei qual, mas outro escândalo é só uma questão de
tempo. Nesse mar de lama em que está o governo - com culpa, quando não, com má-fé
de autoridades - a corrupção se tornou sistêmica. O roubo se tornou comum. Está
banalizado. O PT, que se preparou para ser oposição, de repente se viu no
poder. No poder, foi ao pote com sede incomparável. Mesmo assim, o partido
tenta negar o óbvio ou se justificar com “os outros fizeram o mesmo”.
As grandes roubalheiras começam com
pequenos delitos. A supressão das liberdades, também. Rouba-se um pouco hoje,
mais amanhã. Tira-se um direito hoje, outro amanhã. Nas duas situações, é
preocupante a passividade das pessoas do bem. Por isso, o verso de Eduardo
Alves Costa (No Caminho, com Maiakóvski) vale ser lembrado: “Na primeira noite
eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizem nada // Na
segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não
dizemos nada // Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa
casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”
TORCIDA MISTA
Torcedores de Grêmio e Internacional,
juntos no Gre-Nal 404, foi o destaque positivo do domingo último. Mais do que
civilidade, um gesto simbólico para esses tempos de conflitos. Enfim, o futebol
gaúcho deu um passo gigantesco para premiar a confraternização e repudiar a
malquerença.
Mas nem só de flores foi o clássico.
Fora do estádio, torcidas organizadas se enfrentaram. É que, para marginais,
esporte é guerra. E vai continuar. Com o desarmamento deu-se o mesmo. As
autoridades se orgulham da quantidade de armas arrecadadas. Ocultam, porém, que
só as pessoas de bem delas se livraram. Em consequência, os bandidos só
ganharam. Daí o meu ceticismo.
A DEFESA DA PETROBRAS
Ao que se divulgou, o PT está
empenhado em defender a Petrobras contra a privatização. Mas aí é que a
privatização ganha força. Ser defendida por quem não tem moral, o efeito é
contrário. Se a intenção fosse sincera, melhor faria defendendo a privatização.
A propósito, a lição de Ruy Barbosa: “Há por quem, vitupério é elogio.”
Outro equívoco: a Petrobras, de fato,
no governo Lula/Dilma, foi privatizada: a estatal pertence ao consórcio
liderado pelo PT.
MUJICA É O CARA
José Mujica, ex-Tupamaro, encerrou
seu mandato tão pobre quanto antes de assumir a presidência do Uruguai. Seu
legado: 1) o discurso na ONU em defesa do meio ambiente; 2) a liberação da
maconha como contraponto ao fracasso das políticas repressivas; 3) o espírito
público, que tanto falta a políticos brasileiros; 4) a humildade - nada de
seguranças, de aviões prá lá e prá cá, inclusive para familiares e amigos às
custas dos contribuintes.
A COBRA ESTÁ FUMANDO
A cassação
da Dilma, até bem pouco, não passava de remota hipótese. Não que faltem
motivos. Agora, no entanto, com o povo indignado nas ruas o grau de risco da
presidente aumentou. Por desgoverno, não se cassa presidente eleito. É ônus
eleitoral. Já, por corrupção, sim. Logo, a “cobra está fumando” (Lema da FEB,
2ª Guerra Mundial).
DISCUSSÃO RELEVANTE
O ministro da Justiça, José Eduardo
Cardozo, manteve encontros com advogados de empresários presos na Operação Lava-Jato.
Alguns públicos, outros privados. Nada contra encontros públicos. Já os
encontros privados, pela circunstância dos fatos, cheiram podridão. Por isso, o
ministro foi convocado a se explica perante o Congresso. Lá, menos pelo que ele
disse, mais pelo que não disse, satisfez. É que, assim como Cardozo fez de
conta que falou a verdade, os parlamentares fizeram de conta que acreditaram.
No caso, misturando alhos com
bugalhos, Cardozo ignorou que deve lealdade ao Estado, não ao governo. Conforme
Ricardo Pessoa, da UTC, preso na Operação Lava-Jato, o ministro fez de tudo
para que o empresário não aceitasse a delação premiada. Por quê? Porque
denunciaria, como denunciou, que carreara milhões de reais do Petrolão para do
PT, beneficiando Lula e Dilma.
No ponto, com as vênias dos que
pensam diferente, para mim a reunião entre ministro e advogados nada teve a ver
com o Petrolão. Eles discutiram, tão-só, o sexo dos anjos.
ANIVERSÁRIO DO PT
Faz poucos dias, o PT completou 35
anos. Um tanto envergonhada, sua cúpula comemorou. Sua militância, quase sumiu.
Não é para menos. O PT se dizia ser diferente. A ética era seu norte. Porém, ao
chegar ao poder, nivelou-se aos demais partidos. E se a polícia federal e o
ministério público conseguirem chegar nas profundezas dos governos Lula e
Dilma, se terá de dizer que o PT está alguns furos abaixo dos outros.
Quando da 1ª eleição do Lula, eu
dizia que se o líder sindical chegasse à presidência da República não haveria
tragédia alguma. Pelo contrário, o que faltava ao PT em quadros, sobrava-lhe em
honestidade. Passada sua lua de mel com o poder, digo que me enganei.
Até aqui, dois escândalos monumentais
foram revelados: o Mensalão e o Petrolão. Outros virão. Mas, o que mais choca é
ver que o PT, salvo exceções, ao invés de mostrar arrependimento e punir,
defende seus corruptos.
GOVERNO SARTORI
O Estado gaúcho está em frangalhos.
As minguadas fontes de recursos que tinha, foram usadas por Tarso. O que estava
ruim, pior ficou. Os cortes de secretarias e de cargos de confiança valem pelo
exemplo. No entanto, no enxugamento da máquina estatal é preciso mais. Por
exemplo, desativar as coordenadorias regionais da educação, saúde, obras etc.
Nelas, centenas de servidores, professores, inclusive, estão em desvio de
função.
Essas coordenadorias se justificavam
ao tempo em que uma ligação telefônica do interior com a capital demorava uma
semana. Ademais, os municípios, mediante convênio, poderiam suprir, com
vantagem, as tarefas ainda confiadas a essas repartições. Mas como são cabides
de emprego, o destino deles cabe no verso Luís de Camões: “Cessa tudo que a
antiga Musa canta // Que outro valor mais alto se alevanta”.
FORÇA DESCONHECIDA
Algumas
categorias profissionais recém estão descobrindo sua força. Uma delas, a dos
caminhoneiros. Interromperam o transporte rodoviário, comprometendo o
abastecimento de parte do país. O protesto é justo. Só que o nosso direito de
ir e vir é sagrado. E daí? Ora, “Quem pariu Mateus, que o embale”: a presidente
Dilma.
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